Viagens

Uma das maravilhas do mundo moderno

No dia sete do sete de 2007, teve lugar no Estádio da Luz, em Lisboa, um evento internacional de grande relevância para a indústria turística. Foram apresentados os resultados expressos por 100 milhões de votantes: a seleção das “Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno”. Machu Picchu, no Peru, foi um dos lugares selecionados.

Machu Picchu

Eu sonhava há muito ir visitar a “cidade perdida dos Incas”, mas ouvia dizer que as trilhas eram muito difíceis e muita gente que chega lá sofre do “mal de altitude”. Ao surgir-me uma oportunidade, no entanto, ganhei coragem e fui. Visitar esse lugar sagrado foi a realização de um sonho antigo.

O que é Machu Picchu? As palavras significam em quéchua “montanha velha”. É, todavia, muito mais do que isso. Na Cordilheira dos Andes, a 2 400 metros de altitude, várias montanhas protegem as ruínas duma cidade situada no cume de uma delas. Machu Picchu foi construída na primeira metade do século XV, quando os incas procuravam refúgio dos colonizadores espanhóis.

Uma coisa é ler sobre a cultura avançada dum povo, dono de um império ao longo da costa do Pacífico que ia desde a Colômbia, Bolívia, Equador, Chile e Argentina até ao Peru. Outra coisa é testemunhar com os próprios olhos o conhecimento superior que essa civilização possuía em engenharia, arquitetura, agricultura, arte e em tantos outros aspetos.

Não se chega facilmente a Machu Picchu e só há uma maneira de lá entrar. No Vale Sagrado, na estação de Olhantaytambo, apanha-se um comboio que depois de uma viagem que dura cerca de 1h30, nos deixa no povoado de Aguas Calientes/Machu Picchu. Desse povoado são mais 8 km de autocarro (ou a pé) por estrada estreita, sinuosa e sem asfalto. O rio Urumbamba, de correntes fortes e ameaçador nesta época de chuvas, acompanha-nos ao longo de todo o percurso de comboio e continua a avistar-se lá do alto, na viagem de autocarro. Todos os visitantes entram pela mesma porta, depois de apresentarem o bilhete de ingresso e o passaporte.

O sentimento que se apoderou de mim, ao entrar nesta cidade mítica foi um misto de deslumbramento e comoção. Uma neblina matinal mal deixava vislumbrar o cume das montanhas à volta. No entanto, as ruínas estavam ali, os nossos pés pisando pedras e caminhos percorridos há mais de 500 anos. Machu Picchu foi fortaleza, foi lugar de culto aos deuses, foi habitação de nobres e plebeus; a cidade apresenta infraestruturas que permitiam aos moradores serem auto-suficientes em produtos alimentares.

Apesar de séculos de abandono, destruição devido a terramotos e a saque ao longo dos anos, o que ainda podemos observar maravilha-nos. São os alicerces profundos da construção com um sistema de drenagem de água eficaz; é a forma de talhar grandes blocos de pedra que encaixam perfeitamente uns nos outros sem o uso de qualquer massa ou cimento; é o sistema de terraços destinados à agricultura de modo a beneficiarem de temperaturas variadas; é a grandeza dos templos, dos calendários solares, o conhecimento da construção que aguentava os tremores de terra. É preciso estar naquele lugar para se poder valorizar o desenvolvimento que o povo inca atingiu.

Há trilhas que se podem percorrer nas montanhas à volta das ruínas da cidade. Milhares de pessoas, particularmente de jovens, podem optar por caminhar de duas a seis horas, ou até de dois a quatro dias, na Trilha Inca, que tem cerca de 45 km. É necessário estar em boa forma física, não sofrer de vertigens e planear com tempo. Para percorrer a Trilha, devido a limitações do número permitido, é necessário reservar de entre seis meses a um ano de antecedência.

Realizei o meu sonho de conhecer Machu Picchu. Preferia ter ido há mais anos quando tinha força e resistência para fazer trilhas a subir montanhas. No entanto, e apesar de saber que tudo na vida é transitório, o que vi e aprendi sobre o povo inca e os povos que o precederam, tornou-me mais consciente da capacidade que o ser humano tem para, nas condições mais adversas, construir um mundo admirável.

Manuela Marujo

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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