Viagens

Um país de lagos mil

Tenho a sorte de conhecer três dos lagos considerados entre os mais belos do Canadá: Lake Louise, Moraine Lake e Esmerald Lake nas Montanhas Rochosas da Província de Alberta. Lagos cintilantes de cor azul-turquesa e verde-esmeralda são de uma beleza quase inacreditável até os vermos com os nossos próprios olhos. Todos os canadianos deveriam ter a oportunidade de conhecer essa maravilha nacional. Porém, neste país, procurado por muitos visitantes pelas suas belezas naturais, não é necessário ir até muito longe do local onde vivemos para nos encantarmos com a beleza de um ou mais lagos. 

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O Canadá tem o privilégio de ser dos países do mundo com mais lagos, competindo com a Finlândia. Só na Província do Ontário, contam-se mais de 250 mil. Está ao alcance da grande maioria passar tempo livre junto a um lago e aproveitar os recursos que nos oferece.

Enquanto no mês de agosto, em países como Portugal, o sonho é ir passar férias perto do mar, no Canadá, é estar uns dias numa “cottage” junto dum lago.

Um das muitas dezenas de lagos da região de Muskoka, quase a fazer fronteira com o famoso Algonquin Park, é o “Lake of Bays”. Numa viagem em dia normal, sem engarrafamentos ou outras demoras, fica a cerca de três horas de carro de Toronto. Ao longo do percurso, passamos por muitos outros pequenos lagos e três das localidades que se destacam junto ao “Lake of Bays” são Baysville, Dorset e Dwight.

Tive a experiência de passar, neste mês de agosto, quase duas semanas, numa pequena baía do “Lake of Bays”, entre Dorset e Dwight.  Tal como o nome indica, o “Lago das Baías” tem uma costa muito recortada, num longo perímetro de quase 200 km, e mais de vinte ilhas, sendo a maior e mais conhecida a Bigwin, uma ilha privada com campo de golfe, clube e restaurante.

Para além das magníficas casas que se avistam nas ilhas, há muitas outras à beira do lago que são autênticos palacetes, com jardins bem cuidados e docas enormes para os vários barcos. Há alguns “resorts” públicos dotados de ótimas infraestruturas e parques de campismo.

A maioria das casas têm doca privada, porque usar um barco nas férias contribui muito para se desfrutar do lago. Nós estivemos de férias com os nossos netos ainda pequenos, o que constitui logo uma fonte de alegria. Há muito para fazer: às vezes vai-se de barco, pára-se no meio duma das baías para mergulhar, vezes sem conta, nas águas profundas, ou leva-se o barco até uma praia de areia fina numa das ilhas, lança-se a âncora e nada-se até lá nas águas calmas e menos profundas.  Do que as crianças mais gostam, no entanto, é de fazer “tubing”, isto é, sentadas em bóias gigantes, serem puxadas por uma corda a uma velocidade que provoca saltos trepidantes. Também dá para andarem de caiaque, com um adulto numa canoa, por perto a vigiar os seus movimentos e destreza. Pescar à linha na doca ou no meio do lago, admirar o pôr do sol ou uma noite de céu estrelado são também atividades obrigatórias. Apesar de haver mosquitos em abundância, é divertido fazer uma fogueira à noite, assar “marshmallows” e lamber os dedos peganhentos depois da gulodice.

Adoro o mar e as praias de areia fina e dourada da minha infância em Portugal. Todavia, sou capaz de apreciar a beleza das águas escuras e de temperaturas amenas de muitos dos lagos que enriquecem a paisagem do Canadá. Acalento o sonho de um dia conhecer outros lagos, entre eles o “Superior”, por ser não só o maior dos lagos do Ontário, mas o maior dos cinco Grandes Lagos da América do Norte.

Manuela Marujo

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Imagens cedidas por Manuela Marujo


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