Viagens

São Paulo ou “Sampa”, terra da “garoa”

Sempre que chego ao Brasil, fascina-me a criatividade que a língua portuguesa gera neste país. A cidade de São Paulo, por exemplo, é chamada de “Sampa” – a junção das duas primeiras sílabas de São e Paulo.

A cabo de passar uma semana em Sampa e soube que, durante o longo verão paulistano, cai uma chuva miudinha muito frequente, e aceite por todos com naturalidade. É evidente que só os turistas, como eu, desconhecem que esta é a terra da “garoa”, isto é, uma chuvinha constante e por tempo prolongado. Não vale a pena ninguém queixar-se, a vida prossegue a ritmo acelerado ou lento, conforme a mãe natureza o permita.

Nesta minha última estadia em São Paulo, o evento que gostaria de destacar é a exposição “Leonardo Da Vinci – 500 anos de um génio” que fui ver no Museu de Imagem e Som (MIS). O famoso italiano do século XV ali retratado ((1452-1519) foi inventor, artista, cientista, engenheiro, escultor, arquiteto, biólogo, músico, filósofo, em resumo – um génio!

A mostra é constituída por peças detalhadas, contruídas pelos melhores artesãos italianos utilizando materiais e técnicas da época e reproduções de alta qualidade das famosas pinturas de Leonardo. Para além das invenções, a exposição conta, de forma interativa, a história da mente genial de Leonardo Da Vinci, utilizando as mais modernas tecnologias.

“O prazer mais nobre é a alegria do entendimento”, escreveu Da Vinci. Como o compreendo melhor depois de ter passado duas horas e meia no MIS, feliz com o que vi, ouvi e aprendi.

Com cerca de 100 espetáculos em cartaz nas dezenas de teatros da cidade, consegui ir ver duas peças “Mãos limpas” e “Alma despedaçada”, representadas por profissionais de grande qualidade em que o tema da corrupção foi destacado nos dois textos. O público ri para não chorar, pois a vivência atual dos brasileiros é retratada de forma exemplar.

A maior avenida da cidade – a Avenida Paulista – liberta de carros ao domingo das 10h da manhã às 5h da tarde, é percorrida a pé por famílias com crianças, idosos, milhares de jovens que se divertem nos concertos ao ar livre, dança e outros tipos de divertimento. As ciclovias para bicicletas e trotinetas são utilizadas pelos mais apressados ou em boa forma física, mas sempre respeitando e convivendo em harmonia com os pedestres, que são a maioria.

Ao longo da Paulista, atrações como a Casa das Rosas, o Itaú Cultural, o Museu de Arte de São Paulo, a Casa do Japão, o Sesc (Serviço Social do Comércio), para nomear apenas alguns exemplos, atraem centenas de pessoas que se juntam para as manifestações culturais de entrada gratuita. No parque Tenente Siqueira Campos, conhecido como Trianon, estende-se uma imensa área verde, com árvores centenárias, arbustos e flores onde muitas famílias com crianças e casais de namorados fazem piqueniques; ou se deliciam na feira de comida às portas do parque.

Choveu toda a semana que passei em “Sampa”, mas a “garoa” não me impediu de entrar em belos edifícios históricos no centro da cidade, centros comerciais e arranha-céus modernos, mercados antigos, teatros e cinemas com os filmes nomeados para os Óscares.  Andei a pé na popular Rua Augusta, cruzei a chiquérrima Óscar Freire, caminhei na colorida e animada 25 de Março, percorri as ruas nobres dos Jardins Paulistas e da Vila Madalena.

Fico uma vez mais com a certeza de que me é impossível dizer que conheço esta cidade fundada em 1554 pelos jesuítas, hoje centro financeiro do Brasil e com uma população de 13 milhões de habitantes.

São Paulo significa para mim vida cultural intensa. A oferta a nível de museus, exposições, peças de teatro, instalações artísticas, espetáculos musicais, cinema e outras manifestações de interesse são inesgotáveis.

Manuela Marujo

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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