Viagens

Ria (tão) Formosa!

Sempre que menciono o meu entusiasmo pelo Parque Natural da Ria Formosa, com as suas salinas, flamingos cor de rosa e ilhas de praias calmas, a maior parte das pessoas não entende do que se trata.

O dicionário define ria desta maneira: “canal ou braço do mar que se presta à navegação”; ou “costas onde o mar é raso e os recortes são profundos”. Na Ria Formosa, o que mais me atrai são os 60 km da barreira formada por ilhas que se estende ao longo da costa.

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A Ria Formosa levou-me, nos últimos vinte anos, a escolher Olhão como lugar de férias. A oeste de Olhão, a ria estende-se por Faro até à chique Praia do Ancão, englobando ainda as afamadas Quinta do Lago e Vale de Lobo; do lado este, vai da ilha de Tavira até à praia da Manta Rota. Há quem, como eu, prefira estas praias do Algarve sem rochedos, mas de águas calmas, transparentes e amenas por estarem mais próximas do mar Mediterrâneo. Um sonho tornado realidade para quem gosta de praia de água pouco profunda, tranquila e sem multidões.

Da moderna marina de Olhão, partem barcos de passageiros para as ilhas da Armona, a mais frequentada, e para a da Culatra (ou do Farol) e da Barreta (ou Deserta). A minha preferência vai para a ilha da Culatra. São 25-30 minutos de viagem lenta, tanto na maré baixa como na alta.

A caminho da ilha, quando a maré está baixa, gosto de observar os pescadores e mariscadores à procura de amêijoas e outros moluscos bivalves que por aqui abundam e tão apreciados são pela sua frescura e sabor. Cerca de 80% desse tipo de moluscos usados para exportação em Portugal são apanhados nesta ria.

Ao desembarcar na Culatra, encontra-se uma igreja, pequenos restaurantes e casas de pescadores construídas sobre a areia. Precisamos de atravessar a freguesia para chegar a um passadiço que nos leva à praia, uma caminhada de quinze minutos que é premiada com uma paisagem de mar aberto e oito quilómetros de praia de areia clara e macia.

Quando vou à Culatra, geralmente opto por regressar no barco que sai da praia do Farol e se localiza na parte leste da ilha. Caminho na praia meia hora, mergulhando muitas vezes, escolhendo vieiras e outras conchas bonitas para a minha coleção.

Vou menos vezes à Armona, a cerca de 10 minutos de barco de Olhão, por ter muitas casas, restaurantes e animação. Também vou pouco à Barreta. É conhecida como “a Deserta” por ser a única das ilhas da ria não habitada. Adoro passear nessa linda praia, como o são as das outras ilhas, mas é pena que o último barco saia às 6h. Eu gosto de ficar junto ao mar até ao pôr do sol! É claro que se pode ir e vir de táxi aquático ou em barco privado.

Para admirar a flora e fauna da Ria, há excursões a partir dos cais de Olhão e de Faro, com guias experientes que nos vão apontando as várias espécies. Podem encontrar-se aves aquáticas raras no sapal e nas lagunas e vegetação com grande interesse botânico nas dunas.

As salinas são uma das atrações da ria e podem ver-se, a certa altura do dia, grupos de flamingos, com as suas pernas altas e penas cor de rosa vivo, atraídos pelo sal. Os cães de água, conhecidos internacionalmente depois de o presidente Obama ter adquirido o seu em Portugal, veem-se menos, apesar de serem oriundos desta zona do país.

Voltei a Olhão recentemente. A cidade das casas de terraços brancos, em vez de telhados, de ruelas estreitas e com seu mercado de peixe fresco atrai nacionais e muitos estrangeiros que ali residem permanentemente. É uma porta aberta para a Ria Formosa, tesouro descoberto por alguns e à espera de ser descoberto por muitos outros.

Manuela Marujo

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Imagens cedidas por Manuela Marujo


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