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Porto. A origem do nome Portugal

Manuela Marujo
Manuela Marujo

Prefiro ir de comboio à cidade do Porto, e escolho sempre sair na estação de São Bento por ser um lugar especial. Junto-me aos muitos turistas para contemplar, com admiração, as paredes cobertas de gigantescos painéis de azulejos, da autoria do mestre Jorge Colaço. Em particular, comove-me o quadro que representa Egas Moniz em frente ao rei de Leão e Castela Afonso VII,  de corda ao pescoço, acompanhado por sua mulher e filhos, a honrar a palavra que lhe tinha dado, em nome de seu pupilo Afonso Henriques. Emociona-me porque representa a virtude da honestidade, virtude rara que muito considero.

poeta Luís de Camões refere que o Porto é “a leal cidade donde teve origem (como é fama) o nome eterno de Portugal”. Todos ouvimos falar nas aulas de História sobre a recompensa que foi concedida ao Conde Dom Henrique, pai do futuro primeiro rei de Portugal, pela sua ajuda ao Imperador de Castela. Foi-lhe dado um território, entre os rios Minho e o Douro, onde existia um povoado celta, pré-romano, que se chamava Portus Cales. Daí, o nome evoluiu para Portugal. Se eu fosse do Porto, sentir-me-ia, naturalmente, muito orgulhosa deste facto.

Ao longo da minha vida, sempre ouvi falar da rivalidade entre as duas maiores cidades portuguesas: o norte e o sul a competir e a tentar convencer nacionais e estrangeiros da sua superioridade. Lisboa com Santo António, o Porto com São João; Lisboa com um Oceanário, o Porto com uma Casa da Música, Lisboa com uma Gulbenkian, o Porto com uma Serralves e por aí fora…

Penso que nos dias de hoje, tanto Lisboa como o Porto se podem vangloriar de estar no circuito turístico internacional porque as duas cidades têm muito a oferecer em beleza natural, monumentos, iniciativas culturais, comércio e indústria.

A cidade do famoso “port” deixou de ser apenas conhecida pelas suas caves e provas de vinho, embora o Porto seja a cidade a que, habitualmente, associamos os antigos barcos rabelos no Rio Douro, para o transporte do vinho do Porto, e a zona pitoresca da Ribeira. Fazer um passeio pelo Rio Douro é obrigatório. Admiram-se do rio as icónicas pontes de D. Luís e Dona Maria, a Casa do Infante, a Torre dos Clérigos e outros lugares de prestígio da cidade. Também é agradável passear junto à Foz do Douro, especialmente nas zonas de praia atraentes e nos parques verdejantes com esplanadas e restaurantes.

A cidade do Porto sempre foi conotada com comércio e muita indústria. É um paraíso para compras: as joias de ouro e de prata, em particular as filigranas, são uma tentação para as bolsas mais ricas. Os têxteis e tecidos de lã únicos, que são exportados desde há muito, devido à sua qualidade e originalidade, podem ver-se nas montras das lojas. Adoro andar pela Rua de Santa Catarina a admirar a moda, e apetece-me entrar em cada loja. Felizmente, não sou consumista, e gosto apenas de apreciar. A certa altura, é bom fazer um intervalo e entrar para tomar um café num dos “Cafés Históricos da Europa”- em especial no Majestic, decorado à Belle Epoque. O “cimbalino” bebido ali tem um sabor especial – tanto ou mais que uma “bica” no Nicola. Mas para quê comparar duas cidades tão diferentes e igualmente dignas de visita?

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