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Paz, amor e liberdade

Para a minha geração, a cidade de San Francisco, na Califórnia, evoca flores no cabelo, paz, amor e total liberdade. A geração jovem dos anos 1960 e 1970 sonhava viver na cidade dos “hippies”, da música e da livre expressão sexual. Foi ali que, em 1978, Gilbert Baker criou a bandeira arco-íris, símbolo do movimento LGBT e, em junho desse mesmo ano, se realizou a primeira San Francisco Gay Freedom Day Parade.

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A cidade de San Francisco, na Califórnia, a ponte Golden Gate.

 

Estive várias vezes em San Francisco, e verifico que a cidade, apesar de tanta mudança ao longo das décadas, continua a despertar um interesse especial, sendo usada como cenário de muitos filmes e séries televisivas. Por isso, o mundo todo conhece a ponte Golden Gate (o postal ilustrado mais procurado), a controversa Pirâmide Transamerica, a colorida Chinatown, o Fisherman’s Wharf, as colinas por onde circulam os elétricos, as casas com as “bay windows”, o bairro Haight Ashbury, onde os “hippies” se aglomeravam, e o bairro Mission.

A primeira vez que visitei a cidade, sentia-me em Portugal. A nossa ponte pênsil 25 de Abril faz lembrar a “Golden Gate” pela cor e estrutura que são iguais.  As casas brancas, o céu azul, a baía, os elétricos a subir as colinas – tudo me lembrava a cidade de Lisboa.

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Lombardi Street e Bay windows.

San Francisco é, naturalmente, muito diferente em outros aspetos. A imigração chinesa, nos anos da corrida ao ouro em 1848/1849, foi em números elevadíssimos. A Chinatown, estrategicamente localizada no centro, é prova visível da sua importância na cidade. Comer e fazer compras no bairro chinês é quase da praxe: centenas de restaurantes, lojinhas de roupa, alimentos e toda a espécie de quinquilharia dão cheiros, sons e cores inconfundíveis a essa zona da cidade. A arquitetura de templos, hotéis e instituições sino-americanas é asiática, e contrasta com a modernidade de outros edifícios na Baixa da cidade.

Caminhar no centro obriga a subir e descer – se Lisboa tem sete colinas, San Francisco tem 55 –, é divertido andar de elétrico e observar com vagar os bairros que atravessamos. Transitam por zonas nobres com edifícios luxuosos, hotéis históricos, museus e galerias de arte mas também por bairros étnicos– o italiano e o japonês por exemplo -, e vão até às famosas docas, – o “Fisherman’s Wharf”.

Nesse cais turístico todos os restaurantes servem a famosa “clam chowder” em “sourdough bread” (ensopado de ameijoas em pão de fermento), e há centenas de lojas de “souvenirs”. Chama a atenção a colónia dos leões marinhos que se espreguiçam ao sol; do cais, avista-se perfeitamente a prisão-ilha de Alcatraz, que nunca me interessou visitar, e, na Praça Ghirardelli, o edifício da antiga e famosa fábrica de chocolates foi transformado em boutiques, com roupas, adereços e objetos de design e qualidade superior.

 

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Bairro “hippie” Haight Ashbury as moradias vitorianas de artistas famosos, meio degradadas, foram transformadas em lojas de roupas usadas, discos e de todo o tipo de artefactos a lembrar o famoso “verão do amor de 1967” que atraiu 75 000 jovens à cidade.

 

Atravessar de carro a ponte Golden Gate até ao outro lado é gratificante. Há, frequentemente, um nevoeiro sobre a baía que transforma a paisagem em algo ainda mais belo e misterioso. Vislumbram-se as margens verdejantes, as mansões dos mais endinheirados com vista privilegiada para a água e a brancura da cidade como pano de fundo.

No envelhecido bairro “hippie” Haight Ashbury as moradias vitorianas de artistas famosos, meio degradadas, foram transformadas em lojas de roupas usadas, discos e de todo o tipo de artefactos a lembrar o famoso “verão do amor de 1967” que atraiu 75 000 jovens à cidade. Há agora nas ruas jovens a mendigar, outros drogados, alguns artistas a atuar – uma mistura de sonhadores e jovens sem rumo a apontar para um passado distante.

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Caminhar no centro obriga a subir e descer – se Lisboa tem sete colinas, San Francisco tem 55 –, é divertido andar de elétrico e observar com vagar os bairros que atravessamos. Transitam por zonas nobres com edifícios luxuosos, hotéis históricos, museus e galerias de arte.

O bairro Mission, o mais antigo da cidade, onde fica a Mission Dolores – nome dado à Missão de San Francisco, estabelecida em 1776 -, é hoje um lugar na moda, o bairro mais “trendy”, com casas de arquitetura antiga, murais de arte urbana, bares com música ao vivo. Com um ambiente alegre sul-americano, onde predominam os mexicanos, remete para as raízes latinas da cidade de Sanfran, como é chamada carinhosamente pelos locais.

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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