Viagens

Paris, no outono

As capitais da Europa ficam menos cheias de turistas no outono. Nos últimos dois anos, escolhi passar uma semana em Paris, no mês de outubro, para alimentar o meu espírito com beleza e cultura. As temperaturas são amenas e é agradável fazer caminhadas para visitar os magníficos edifícios históricos, parques e jardins. É também habitual que novas exposições sejam inauguradas nos museus e galerias de arte das grandes cidades, no mês de outubro.

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Em Paris, vale a pena comprar um passe para os museus da cidade. Pode entrar-se, quantas vezes quisermos, em mais de cinquenta museus durante quatro dias. Visitei apenas dez, entre os três que já conhecia, mas onde não posso deixar de ir nem que seja por uma hora: o Louvre, o Centro Pompidou e o Arco do Triunfo. Com o passe, tem-se prioridade de entrada, o que é muito vantajoso pois as filas são imensas nestes museus, mesmo no outono.

Vi várias exposições temporárias em alguns dos museus que visitei. A mais impressionante intitula-se “Marie-Antoniette – Metamorfoses de uma imagem” no “La Conciergerie”. Este esplêndido palácio gótico, remodelado por ordem de Filipe o Belo no século XIV,  veio a ser, mais tarde, a prisão onde a rainha Maria Antonieta passou as últimas semanas da sua vida, antes de ser decapitada. Porque se comemorou, no dia 16 outubro, 300 anos que Maria Antonieta foi guilhotinada na Praça da Concórdia, uma exposição no palácio presta homenagem a essa figura controversa da história da França. Pode ser vista até 26 de janeiro de 2020.

Essa extensa e elucidativa exposição no “La Conciergerie” faz-nos recuar no tempo e permite-nos observar cerca de duzentos documentos raros, quadros, trajes, objetos artísticos, vídeos com entrevistas inéditas, trechos de filmes sobre a sua vida, etc.. Ajuda-nos a compreender o culto a Maria Antonieta, quer seja prestado por nacionais, quer por estrangeiros de muitos países. Enquanto para muitos franceses a rainha é considerada uma traidora, para outros é a grande mártir da Revolução Francesa.

Gostei particularmente de ver o original do célebre quadro de Elizabeth Vigée Le Brun em que a rainha tem a rosa na mão, os livros escritos sobre a sua vida e traduzidos em múltiplas línguas, fotografias e cartazes de estrelas de cinema que copiaram o seu gosto de ícone da moda em vestidos, sapatos e joias. No fim da visita à exposição, não quis deixar de visitar a cela onde esteve prisioneira e contemplar os objetos pessoais que aí estão expostos.

Como muitas outras pessoas, a minha curiosidade já me levou também ao Palácio de Versailles, símbolo máximo da vida de Luís XVI e Maria Antonieta. Ao percorrer os palácios e jardins, lembro-me de ter ficado extasiada com tanta beleza; ao mesmo tempo, deu-me uma certa pena imaginar, nessa prisão dourada, a jovem austríaca casada aos 14 anos e rainha de França aos 18. Compreendo como os costumes e convenções da época a possam ter sufocado e forçado a uma rebeldia que não foi bem aceite. Maria Antonieta foi executada aos 38 anos.

Nesse mesmo dia, parei para refletir junto da escultura “Chama da Liberdade”, por cima do túnel da Ponte de l’Alma onde morreu a Princesa Diana de Inglaterra. Tal como muitas outras pessoas, não pude deixar de associar as mortes trágicas de Antonieta e Diana. A beleza, riqueza e celebridade das duas levaram a cultos que irão certamente perdurar por muitos anos.

Paris no outono é uma experiência que recomendo vivamente. Regressei a casa com os pés cansados mas com o espírito enriquecido por tanta beleza e cultura.

 

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www.donate.utoronto.ca/Marujo

Imagens cedidas por Manuela Marujo

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