Viagens

O arquipélago das Bermudas

À minha profissão de professora, devo inolvidáveis memórias de descobertas e aprendizagens por esse mundo. O único cruzeiro da minha vida fi-lo, por exemplo, como formadora num curso de reciclagem de professores de Português destinado a docentes do Canadá e Estados Unidos, a bordo do navio Norwegian Princess.

Símbolo de soberania inglesa

O navio, com destino às Ilhas Bermudas, saiu do porto de Boston, Nova Inglaterra, uma das cidades americanas com arquitetura, história e destacadas instituições universitárias como Harvard e Cambridge que merecem, igualmente, uma visita de alguns dias.

Estava com receio de enjoar, mas não só o navio era uma autêntica cidade flutuante, como o mar esteve sempre muito calmo. A bordo, para além das comodidades oferecidas nos cruzeiros – piscinas, lojas, restaurantes, bares, cinema, biblioteca, salas de jogos – eu estava entretida em apresentações sobre assuntos de meu interesse, dialogar e conviver com os participantes do curso, a maioria professores como eu. Ir conhecer as Ilhas Bermudas, as suas famosas praias e uma visita ao Clube Vasco da Gama, na cidade de Hamilton, faziam parte do programa.

O arquipélago das Ilhas Bermudas compreende um conjunto de sete ilhas principais, com o formato de um anzol, que estão ligadas por pontes, e muitas dezenas de ilhotas à volta. O arquipélago tem apenas 40km de comprimento e menos de 2km de largura. Devido aos corais e às conchas, a areia nas praias tem uma cor rosada e as águas transparentes e de temperatura amena atraem grande número de turistas, uma das principais fontes de riqueza desta antiga colónia britânica. Não há rios, lagos ou fontes naturais de água doce. A chuva cai com abundância e achei fascinante observar o sistema de recolha das águas da chuva em telhados estrategicamente desenhados e construídos para o efeito.

St George – patrimonio UNESCO

Apesar de terem sido descobertas pelo espanhol Juan Bermudez em 1503, as ilhas foram ocupadas pelos ingleses em 1609 que ali ergueram a fortificação de St. George em 1612. Desde 1968, as Bermudas têm autonomia nos seus assuntos internos mas dependem do Reino Unido na política externa e na defesa, e há um governador britânico.

A cidade mais antiga é St. George, na Ilha com o mesmo nome, reconhecida em 2000 pela UNESCO como património mundial – um testemunho por excelência da colonização inglesa no Novo Mundo. A capital é Hamilton, na Main Island, onde há uma forte presença portuguesa – muitos açorianos e madeirenses trabalham nestas ilhas desde 1849. O Clube português Vasco da Gama acolheu o nosso grupo de professores e, durante um dia inteiro, foi o nosso anfitrião. Que experiência agradável encontrar, no meio do Atlântico Norte, uma “casa portuguesa” onde um almoço com os sabores da nossa comida nos deliciou.

Ao passear pelas ruas de Hamilton, é impossível não notarmos a indumentária oficial dos habitantes das ilhas – as famosas bermudas! Achei engraçado ver todos – desde o polícia de trânsito, ao dono da loja e ao homem de negócios engravatado – usando os internacionais e discretos calções, que cobrem a perna até ao joelho.

Quero assinalar um momento gratificante desta minha ida às Bermudas: um encontro com uma antiga aluna da Universidade de Toronto que comigo aprendera português durante vários anos. Bermudense de origem, sabia que aprender a Língua Portuguesa lhe traria vantagens e oportunidades de trabalho num lugar onde 90% da população estrangeira que ali vive e trabalha é açoriana.

Já no navio, olhei longa e respeitosamente para o mar soberano, sabendo-me num dos vértices do misterioso “triângulo das Bermudas”, objeto de inúmeros livros, filmes e séries televisivas. Deixei a minha imaginação voar e, ao dizer adeus a este arquipélago, observei a formação de nuvens que, sobre as ilhas, se apresenta de uma beleza surreal, justamente merecedora de muitos livros de fotografias publicados sobre o assunto.

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www.donate.utoronto.ca/Marujo

Imagens cedidas por Manuela Marujo

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