Viagens

Nova Iorque na primavera

A primeira vez que visitei Nova Iorque, nos fins dos anos 1990, parecia-me que já conhecia a cidade. Não é de admirar, pois tal como Paris ou Londres, é cenário favorito dos realizadores de cinema e televisão, e muita gente se familiariza com a cidade sem precisar de sair do seu cantinho.

Central Park – o prado

A Estátua da Liberdade, o Empire State Building, o Museu Gugenheim, o Central Park, a Times Square – para nomear só um pequeno número dos ícones mais conhecidos da cidade, não são surpresa para muitos visitantes. Eles confirmam a imponência, a beleza e o frenesim a que nos habituou esta cidade, fundada nas margens do Rio Hudson.

A Ilha de Manhattan é o coração da cidade e, como para a maioria dos turistas, é a parte que mais me atrai. Tive sorte, na primeira vez que a visitei, antes do fatídico 9/11. Um simpático piloto americano, através dos intercomunicadores, anunciou: “Vou sobrevoar Manhattan para que possam apreciar a beleza da minha cidade.” Foram uns momentos inesquecíveis e seria impensável isto acontecer na época em que vivemos.

Voltei agora a Nova Iorque, na companhia da minha filha, para passar o fim-de-semana do “Dia da Mãe”. O Central Park era um dos lugares obrigatórios da nossa lista. Num dia primaveril cheio de sol, o parque deslumbra pela beleza das muitas árvores verdejantes, arbustos, canteiros de flores, lagos, fontes, carruagens antigas a passear turistas. Pessoas de todas as partes do mundo ali convivem, beneficiando da generosidade da natureza.

Caminhámos à procura de um lugar por onde eu, obrigatoriamente, queria passar – Strawberry Fields – nome dado ao jardim, com o mosaico e a inscrição em pedra dedicados a John Lennon, junto ao edifício Dakota onde foi assassinado, a 8 dezembro de 1980. Fui afetada pela morte deste cantor, como tantos na minha juventude, admiradores dos Beatles. Yoko Ono, a companheira de Lennon, conseguiu o apoio de dezenas de países no mundo, tornando possível que uma parte de Central Park preserve a memória deste ativista defensor da paz no mundo. Sentei-me junto da rocha onde se encontra a inscrição e fiquei comovida ao ler a frase: “Imaginem todo o mundo a viver em paz”.

Em contraste gritante com o silêncio e a tranquilidade do Central Park, e para se compreender melhor a cidade, precisamos passar, à noite, na Times Square, na zona da Broadway. As dezenas de teatros famosos atraem um número excessivo de pessoas, imagens e sons. Vê-se de tudo – gente jovem e idosa, rica e miserável, esfusiante e assustada, calma ou desejosa de fugir daquele espaço, tal como nós. Mas só saímos, depois de ter ido ao célebre teatro Embassador ver o musical Chicago, que perdura desde 2003.
Nova Iorque oferece outras imagens de renome. A imponência dos primeiros arranha-céus com outros, moderníssimos, que nos despertam a admiração pela arquitetura arrojada.

Fazer um passeio a céu aberto, num dos autocarros de dois andares, dá-nos a oportunidade de ver, com vagar, essa arquitetura que é uma marca da cidade. Passámos, naturalmente, pelo edifício deslumbrante do National September Memorial que nos traz lembranças dolorosas do mundo em que vivemos desde o evento terrorista de 2001. Foi construído onde se encontravam as Twin Towers que visitara uma outra vez.

O trânsito da cidade é caótico, com o buzinar insuportável a testar a paciência de qualquer condutor. Os milhares de táxis amarelos que conhecemos dos filmes enchem as ruas da cidade. Quem tem meios, deixa o carro em casa e desloca-se de táxi.

Precisamos de quase uma hora para chegar, do centro de Manhattan, até a uma das pontes que atravessam o rio Hudson. No caminho, admiram-se as coloridas e movimentadas Little Italy, Chinatown, e tantos outros bairros de características únicas.

É um privilégio apreciar a cidade do meio do rio, ao atravessar a ponte Manhattan. Só a vista da romântica Brooklyn Bridge e um pôr-do-sol nas águas do Hudson, num fim-de-semana de primavera, teriam valido a pena uma visita a Nova Iorque.

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Manuela Marujo

Imagens cedidas por Manuela Marujo

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