Viagens

No coração de Roma

A primeira vez que fui à mítica cidade de Roma, fiz como a maioria – aguardei na Praça da Basílica de São Pedro, o dia e hora anunciados, em que o Papa viria saudar os peregrinos e os turistas como eu. Acontece nas manhãs de quarta-feira quando o Papa se apresenta para abençoar os que o procuram. Estava acompanhada da minha maior amiga, católica devota, partilhando com ela a alegria e a comoção por poder estar naquele espaço tão cheio de significado para os crentes.

Senti, como imagino terá sentido a multidão à minha volta, uma certa emoção ao ver a saudar-nos, numa carrinha branca aberta, o Papa Bento XVI. Depois de circundar a praça de São Pedro, aí rezou missa logo a seguir. O líder da Igreja Católica viria a abdicar do seu cargo pouco tempo depois dessa minha visita, por motivos de doença, num gesto inesperado e excecional na história da Igreja dos últimos 700 anos.

O Vaticano, ou Cidade-Estado do Vaticano, independente desde 1929, é o estado-nação mais pequeno do mundo. Resultou do Tratado de Latrão, assinado por Mussolini e o cardeal Pietro Gasparri. Tem uma área muito reduzida, de cerca de 0,44 km2, e mil habitantes. Fica localizado no coração da cidade de Roma e o seu património artístico é inestimável. São de grande imponência os vários edifícios que se concentram no espaço do Vaticano, rodeados de muralhas impenetráveis e guardas à porta.

O Chefe de Estado do Vaticano é o Papa, cuja residência oficial é o Palácio Apostólico. A Basílica de São Pedro, na praça do mesmo nome, é o local onde o Papa realiza a maior parte das cerimónias dado poder albergar 60.000 pessoas. Há sempre movimento neste local sendo os guardas do Vaticano, com seus uniformes coloridos, quem protege as entradas e saídas de tanta gente na basílica.

Com entrada livre, a Basílica de São Pedro é o maior e mais significativo edifício religioso católico, constituindo um dos lugares de peregrinação cristã mais visitado do mundo. Ali está sepultado São Pedro, apóstolo de Jesus, considerado o primeiro Papa. Para a grandeza exterior e interior deste monumento contribuíram artistas dos mais famosos da história da humanidade como Miguelangelo, Bernini e Rafael. Um dos lugares mais famosos é a Capela da Pietà, obra de Michelangelo em mármore de Carrara, a Virgem com Jesus morto ao colo.

Para entrar nos Museus do Vaticano é aconselhável comprar bilhete com antecedência, pois há sempre filas longas e compreendi porquê. Os tesouros acumulados ao longo dos séculos – e que são retratados em filmes e nos meios de comunicação -, podem ser vistos por todos, desde que haja tempo pois são várias as coleções de arte distribuídas por edifícios diferentes. A famosa Capela Sistina, onde se reúnem os cardeais quando há a eleição de um novo Papa, é talvez o lugar que ninguém deixa de querer ver. Os frescos do teto pintados por Miguelangelo são um deslumbramento, e as pessoas acotovelam-se para poder admirar essa obra de arte única.

Voltei a Roma e à Praça de São Pedro outras vezes – embora haja outros tesouros artísticos para admirar na cidade, o Vaticano com todo peso da tradição, do poder e influência da Igreja Católica atrai-nos como um íman.

Em português, usamos a expressão “Ir a Roma e não ver o Papa”, para indicar que não se viu o mais importante, a principal atração do lugar visitado. Por isso, mesmo que não tivesse visitado as ruínas da cidade, outras igrejas e monumentos únicos que tornam Roma famosa, já teria valido a pena ir a Roma por ter visto o Papa, a Basílica de São Pedro e os museus do Vaticano.

Manuela Marujo

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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