Viagens

Música, palácios e cafés

À cidade de Viena d’Áustria sempre associei a imperatriz Isabel da Baviera, esposa do imperador Francisco José I. Conhecida internacionalmente com o nome de Sissi, devido a uma trilogia de filmes que contaram a sua vida de forma romantizada, foi protagonizada pela bela atriz Romy Schneider. Vi esses filmes em criança, e impressionou-me imenso a vida da irreverente imperatriz, ocupada com viagens, moda excêntrica, amantes e outras paixões.

Quando realizei o sonho de ir a Viena, não quis deixar de visitar o Palácio Imperial de Hofburg, moradia oficial da família durante 600 anos. Foi construído sobre um castelo medieval do século XIII e ampliado ao longo dos séculos. É uma autêntica cidade dentro da cidade. Nele se pode apreciar o “Museu da Sisi” em que procuram recriar a vida da imperatriz, dando a conhecer uma outra versão bem sombria e triste, muito diferente da mostrada nos filmes. Isabel da Áustria era obcecada pela dieta, sofreu de anorexia, depressão e viveu amargurada e infeliz, com um casamento sem amor e graves desgostos por causa dos filhos. O fim foi igualmente trágico – morreu em Genebra, assassinada por um anarquista. O Palácio de Hofburg com corredores longos, escadarias altas e salões demasiado espaçosos, deixa-nos uma impressão de grande solidão e frieza. Apesar do fausto do mobiliário, do brilho dos lustres de cristal, da prata e do ouro da decoração, senti pena dela por ter que habitar naquele espaço.

Gostei muito mais do Palácio Imperial de Verão, de arquitetura barroca, onde a imperatriz Maria Teresa de Áustria, única mulher que governou o império entre 1740-1780, recebia os líderes do mundo, fazia festas e se tornou o centro da corte. Chama-se Palácio de Schönbrun e é conhecido por “Versalhes de Viena”, devido à beleza do interior e dos seus jardins. É possível que a imperatriz Sissi ali se tenha sentido ali um pouco mais feliz.

É muito cansativo andar por Schönbrun e Hofburg devido às grandes extensões que precisamos de percorrer; no entanto, arranjei energia para ir ver um outro palácio de Viena – o de Belvedere. É lá que se encontra o “O Beijo”, o quadro mais famoso de Gustav Klimt. Do período dourado do pintor, início do século XX, merece sem dúvida a nossa visita, bem como os jardins do palácio que são muito lindos.

Não quis também de, em Viena, deixar de subir os 343 degraus da torre da catedral gótica de Santo Estevão, na praça central, donde se tem uma vista panorâmica da cidade, atravessada pelo rio Danúbio.  O telhado colorido da catedral é muito original e, de lá, podemos observar os bairros tradicionais, com suas pracinhas, mercados, igrejas e outros monumentos.

Viena de Áustria é conhecida por ser a capital musical da Europa. Por lá viveram ou passaram os maiores compositores – Mozart, Beethoven, Schubert, Strauss – e foi lá que nasceu a valsa. Há, por isso, um amor grande pela música e empenho na organização de espetáculos musicais em teatros, salas de concertos, academias, museus e conservatórios, para não falar da Ópera Estatal de Viena e da Orquestra de Viena, das mais famosas do mundo. Qualquer visitante que se preza, não perde os 15 minutos de música de órgão, em frente ao relógio Anker do Hoher Market, diariamente, ao meio-dia.

Viena é, mais do que outros lugares do mundo, célebre pelos seus cafés, tão ao jeito europeu. No “Café Central”, onde se sentavam Freud, Stalin e Trotsky, entre outros famosos, tomei café e comi “Apfelstrudel”. Tal como em Lisboa, Paris e outras capitais europeias, o café é um lugar aonde se vai para debater ideias, escrever poesia, conhecer pessoas. Não me surpreendi ao saber que, desde 2011, a UNESCO reconheceu como Património Imaterial da Humanidade a “Wiener Kaffeehauskultur”, isto é, a Cultura Vienense dos Cafés. 

Viena, capital da música, com palácios, cafés e uma intensa vida artística e cultural merece uma estadia longa para podermos apreciar o que de melhor há na Europa.

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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