Viagens

Macau e Hong Kong – portas para a China

Manuela Marujo
Manuela Marujo

No passado 22 de Outubro, foi oficialmente inaugurada, pelo presidente chinês XI Jinping, uma ponte que liga Hong Kong a Macau. São 55 km de percurso. Desta obra de engenharia, faz parte não só uma ponte com cerca de 30km, mas ainda um túnel subaquático e três ilhas artificiais.

De Toronto a Hong Kong, a viagem de avião direta são 14 horas. Depois, a travessia é feita num hidroavião (“jetfoil”), que leva cerca de 1h entre as duas cidades. Com o mar extraordinariamente revolto, como aconteceu numa das três vezes que fui a Macau, fiquei sem qualquer desejo de voltar a fazer essa viagem.

Estive em Macau em 1997, antes da entrega desta colónia portuguesa à China dois anos depois, e voltei duas vezes mais, já território chinês. Macau faz parte do nosso imaginário. Aprendemos como os portugueses chegaram a este pedacinho do território chinês, na foz do Rio das Pérolas, no princípio do século XVI (1557) e lhes foi concedida licença para ali permanecerem e negociar com o Oriente, tendo-se tornado no maior entreposto comercial entre a Europa, a China e o Japão.

Quando fui a Macau pela primeira vez, o meu maior desejo era entrar na Gruta de Camões, localizada no Jardim com o mesmo nome. Ao chegar ao local, vi muitos idosos chineses a usá-la para a prática de Tai-Chi. Esperei o tempo necessário para poder aproximar-me. Diz a lenda, que o autor de “Os Lusíadas”, ali escreveu parte do seu poema épico. Comoveram-me olhar o busto do poeta e sentir a serenidade do local, à sombra protetora de árvores seculares. Que importa se é realidade ou apenas lenda? Não creio que haja um único português que viaje até Macau que não deseje pisar o local por onde consta que o poeta andou…

Macau é uma cidade muito pequena (cerca de 10km2), sendo por isso impossível não encontrar o Centro Histórico onde se podem admirar os monumentos principais como o Leal Senado, a Igreja de São Domingos, a Santa Casa da Misericórdia e a fachada da Igreja de São Paulo; nesses momentos, quase esquecemos que estamos fora de Portugal. Milhares de pessoas nas ruas percorrem, de dia e de noite, esta parte da cidade que foi considerada pela UNESCO, em 2006, Património Mundial da Humanidade.

Além da cidade de Macau, localizada numa península, as pequenas ilhas de Taipa e Coloane, ligadas a Macau por pontes, fazem parte da Região Administrativa Especial (RAE), nome que a China adotou para a antiga colónia portuguesa. Sob o slogan “um país, dois sistemas”, a China deu a Macau direitos e liberdades que não faziam parte do sistema comunista que rege o resto do país, como a existência oficial de casinos.

Para qualquer visitante, a característica da cidade de Macau mais saliente é a proliferação dos casinos. É considerada a principal cidade do mundo para o negócio do jogo, com receitas três vezes superiores a Las Vegas, nos EUA. Há 38 casinos na península, sendo o “Veneziano” o mais impressionante, em Taipa.

Antes da ponte, acabada de inaugurar há duas semanas, faziam-se 155 travessias diárias entre Hong Kong e Macau. Os milhares de turistas e trabalhadores chineses, portugueses, filipinos e outros, em Macau, congestionavam a cidade. Assusta-me um pouco admitir que Macau irá atrair mais gente ainda, com esta nova ponte. Apesar disso, se me surgir uma oportunidade, gostaria de um dia fazer essa travessia de apenas 30 minutos!

 

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