Viagens

Lima, a cidade onde não chove

O Peru atrai turistas de todo os países porque nas suas montanhas se encontra a cidade perdida dos incas, Machu Picchu, uma das sete maravilhas do mundo, que sonhava visitar. Lima, a capital do Peru, contudo, nunca me tinha chamado a atenção. Mas, ao planear a minha viagem para Machu Picchu, li o suficiente para decidir passar um mínimo de dois dias na cidade. Não me arrependi.

Lima no planalto
Lima no planalto

Lima fica localizada na costa central do país, ao longo do Oceano Pacífico, num planalto elevado. Grandes desfiladeiros permitem uma vista panorâmica para oeste, sendo o pôr-do-sol parte indispensável do circuito turístico da cidade. Apesar de não chover em Lima durante todo o ano, a cidade tem muitos jardins e parques verdes que beneficiam da humidade marítima e aproveitamento das águas de três rios, entre eles, o rio Rimac (palavra quéchua) que deu o nome ao vale onde se encontra a cidade.

Dos inúmeros miradouros da avenida marginal, avistam-se pequenas praias de ondas favoráveis aos amantes do surf. Não são praias de areia, mas sim recobertas de pequenos seixos escuros e salpicadas de chapéus de sol coloridos e barraquinhas de vendedores ambulantes.

Lima é uma cidade organizada em muitos “distritos” que se estendem por quilómetros. É preciso andar de táxi para se poder ver os lugares de interesse. O trânsito na cidade é barulhento e caótico. Os turistas ficam frequentemente em Miraflores, uma área privilegiada de belas mansões coloniais transformadas em hotéis de luxo, prédios modernos e restaurantes de renome internacional. De lá, leva-se uma meia hora, ou mais, para chegar ao centro histórico.

A Plaza das Armas, aonde vão dar as ruas principais, é testemunho da colonização espanhola. A cidade foi fundada em 1535 pelo conquistador Francisco Pizarro e dezenas de edifícios no centro estão identificados com o símbolo da UNESCO, património da humanidade. A cor amarela, símbolo do ouro que abundou no país, caracteriza este local. É uma cor alegre, que brilha ao sol desta cidade onde não há chuva. Diariamente pelas 12 h, pode assistir-se ao render da guarda no palácio presidencial. Adorei ouvir a orquestra militar, tocando a Carmina Burana, enquanto os soldados faziam a cerimónia, em graciosos passos de dança.

A catedral, o Palácio do Arcebispo e o Convento de São Domingos são apenas uma amostra dos edifícios muito bem preservados que não se podem deixar de visitar. O meu favorito foi o convento de São Domingos. Para se poder compreender a devoção dos peruanos a São Martín de Porres, o primeiro santo mestiço, e a Santa Rosa de Lima, a primeira santa da América Latina, tem que se fazer uma visita guiada a este convento. Porque sou professora, encantou-me também saber que a Universidade Nacional de San Marcos foi fundada em 1551, e é a mais antiga em funcionamento em todo o continente americano.

Eu fiquei surpreendida com a qualidade e a riqueza dos museus de Lima. Só tive tempo para ir a três: Museu de Arte de Lima, Museu Arqueológico e Histórico da Cidade e Museu Larco. Esta foi, realmente, a melhor forma de me preparar para o que fui ver e admirar durante mais seis dias no país. O Peru tem uma herança cultural que remonta a 5 000 anos antes de Cristo. Os povos pré-incas deixaram marcas relevantes, que ainda continuam a ser pesquisadas e as descobertas continuam a surpreender os mais famosos arqueólogos do mundo. Nos museus de Lima, podemos admirar peças de cerâmica, têxteis e objetos de metais preciosos que nos surpreendem pela sua antiguidade, perfeição e qualidade estética.

Em geral viaja-se até ao Peru para nos maravilharmos com a cultura dos incas. Compreendi que esse povo inteligente, sábio e culto se valeu dos conhecimentos que soube usar e transformar dos sete povos que, muitos séculos antes deles, habitaram o território deste país, fundado como nação muito tempo depois de Lima, em 1821.
Fiquei a admirar os peruanos pela sua herança cultural riquíssima. É um país que teve séculos de apogeu seguidos de declínio. Atualmente, é bem notório que o Peru se reencontrou com a via do crescimento e o povo se sente orgulhoso da sua identidade.

Manuela Marujo

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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