Viagens

Guimarães, cidade-berço

Adoro festas de anos! Os meus amigos acham graça que eu continue a festejar anualmente o meu aniversário. Celebro a vida, aprendi isso com o meu pai e nunca o esqueço. Por essa razão, a notícia sobre os 840 anos de Portugal, assinalados neste mês de maio, me chamou a atenção.  

Alguns historiadores apontam para 1179, como sendo o ano em que o Papa reconheceu o Reino como país independente. Era o costume na época ser a Igreja Católica a fazer esse reconhecimento e a data faz parte da nossa história. Há divergência, no entanto, entre os historiadores quanto à verdadeira data: uns escolhem a da batalha de São Mamede em 1128, outros a de Ourique em 1139, mas a maioria assinala a do tratado de Zamora de 1143. O que me parece mais importante, todavia, é constatar que somos o país que tem a fronteira mais antiga da Europa. Devemos festejar esse facto. 

Conhecer Guimarães, cidade fundada no século X pela poderosa condessa Mumadona Dias, e onde viria a nascer o primeiro rei de Portugal, é quase obrigatório. Passear por Guimarães é emocionante pois, simbolicamente, esse lugar representa o início da portugalidade. 

Todos quantos vão a Guimarães não podem deixar de admirar a estátua de Dom Afonso Henriques, erigida junto do castelo e do Paço dos Duques de Bragança. Obra do escultor Soares dos Reis, nela reconhecemos, imediatamente, o bravo conquistador das terras aos mouros, representado com a armadura e espada ibérica, cuja imagem foi reproduzida nos nossos livros da escola primária.

Visitei essa cidade a primeira vez, numa excursão, quando era aluna do liceu. Sempre adorei a disciplina de História e interessei-me pelo que a nossa professora nos explicou sobre o significado de ser o “berço de Portugal”. Voltei noutras alturas com alunos estrangeiros que estudavam a nossa cultura, com a família e com amigos. 

A cidade tem um centro histórico medieval, muito bem preservado e declarado património mundial da humanidade em 2001. No Largo do Toural, a sala de visitas da cidade, são muito atraentes as casas antigas, com águas furtadas nos telhados, enormes janelas e belas grades de ferro forjado. 

Na última visita que fiz a Guimarães, escolhi ficar instalada numa das pousadas de Portugal, um hotel chamado Quinta de Santa Marinha, nos arredores. Está situado num local elevado, com uma vista panorâmica para a cidade. 

Nunca dantes tinha ouvido falar que ali existira um mosteiro da ordem dos monges agostinhos, fundado no século XII. Como tem acontecido com muitos destes monumentos portugueses, foi transformado num requintado hotel. Fiquei encantada!

No hotel, o espaço por onde deambulamos é vasto e majestoso. Atravessam-se salas de estar com painéis de azulejos azuis e brancos do século XVIII, mobiliário de época de madeiras preciosas, espelhos e lustres de cristal. Descem-se escadas de granito e deparamo-nos com um corredor muito comprido, largo e imponente, para onde davam as celas dos monges, tornado acolhedor por uma bela carpete vermelha. É nessa zona que se situa a grande maioria dos quartos. 

Os hóspedes podem passear pelos jardins bem tratados com grutas, recantos com fontes de granito, um lago, claustros e paredes cobertas de painéis de azulejos. O canto dos pássaros é o som que nos acompanha durante os passeios ao ar livre, ou quando nas varandas nos debruçamos sobre a vista deslumbrante da cidade de Guimarães. 

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Manuela Marujo

Imagens cedidas por Manuela Marujo

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