Viagens

Fim de semana na “cottage”

No fim de semana prolongado do Victoria Day, um feriado nacional em que se comemora o dia dos anos da rainha Vitória, é tradicional aproveitar para reabrir a casa no campo (a “cottage”).  Neste mês de maio, a lembrança do longo inverno tornou ainda mais desejável a procura de sol, numa primavera que tardou a chegar em plenitude.  

A nossa família seguiu a regra. Há muitas semanas que estávamos à espera do bom tempo para poder usufruir, com vagar, do prazer da natureza. Comprámos as sementes, as pequenas plantas e flores para plantar nos canteiros e, cheios de calma, enfrentámos as filas nas estradas para sair de Toronto. Quase toda a gente anseia pelo mesmo – sair do ruído da grande cidade para se refugiar num espaço tranquilo. O sonho canadiano mais comum é adquirir uma segunda moradia no campo, de preferência nas proximidades dum lago, rio ou riacho. 

No Ontário, encontra-se não só o maior lago de água fresca do mundo, o Lago Superior, mas é também a província canadiana com a maior percentagem de lagos do país. Com um pouco de sorte, recorre-se a alguém conhecido, amigo, ou familiar que tem uma “cottage” para se passar um dia, um fim de semana, e até vários dias. Se isso não for possível, existem “cottages” que se podem alugar nas férias, tal como se aluga uma casa de praia nos países quentes. Mesmo que seja por um dia ou dois, vale a pena sair da cidade e procurar a paz do campo, a pouca distância ou, às vezes, a algumas horas de condução.

Quem não adora a primavera no campo? As violetas, os dentes de leão e, em particular, o “trillium’ com pétalas brancas e corola amarela, flor símbolo do Ontário, são as primeiras flores silvestres que encontramos no bosque e nos fazem lembrar que a cor e a vida estão de regresso à natureza. Desde que descobri que os fetos junto da água têm, nesta altura do ano, uma parte comestível (“fiddleheads”), é uma atividade a que me dedico com entusiasmo – ir apanhá-los para depois toda a família se deleitar com esses rebentos de sabor delicado.

Delicio-me com o som dos pássaros nas árvores enchendo com sua música a natureza, silenciosa durante tantos meses. Tenho pena de não saber os nomes das aves que ouço a chilrear: tirando o pardal, o pica-pau e o cardinal poucos mais reconheço. 

O fim de semana do feriado Victoria Day é pretexto para se fazerem os primeiros churrascos, até mesmo piqueniques ou, pelo menos, para tomar uma bebida fresca fora de portas a antever os dias quentes que nos aguardam. 

No domingo, a nossa família optou por almoçar na varanda, com um sol aconchegante; mal tínhamos terminado, fomos forçados a levantar da mesa apressadamente, pois uma chuva forte caiu quase sem aviso. No lago à nossa frente, canoas e outros barcos que passavam, foram também apanhados de surpresa. 

A terra ficou húmida e propícia para se semear, os canteiros à espera de novos bolbos e raízes das pequenas plantas que trouxemos. Em dias assim, é necessário aproveitar os intervalos com bom tempo, tirar partido do sol que aparece e logo desaparece pois isso é típico da estação.

Acolhemos com alegria a segunda-feira, dia feriado; só no fim do dia fechámos, com pena, a porta da “cottage”. Há a certeza, porém, de que nos próximos meses, esta será uma rotina muito agradável – passar lá o fim de semana cortando relva, regando as plantas, dando passeios de barco no lago. É esta vida ao ar livre, com a família e amigos, um aspeto encantador da vida na província do Ontário de que, infelizmente, a maioria das famílias não pode usufruir com regularidade. 

Gostaria de ajudar um estudante da U of T a ir visitar um país de língua portuguesa? 

Pode fazê-lo com um donativo (“tax donation deductible”).

www.donate.utoronto.ca/Marujo

Manuela Marujo

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