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Como num conto de fadas

As viagens que fiz até agora têm-me proporcionado imagens de lugares, de tal maneira inusitados e belos, que será improvável algum dia apagá-los da minha memória.  Um dos países por onde viajei e que mais maravilhada me deixou foi, sem dúvida, a Turquia. 

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Fotos: DR

Bastar-me-ia ter conhecido apenas a antiga cidade mítica de Constantinopla (Istambul), para ter valido a pena fazer essa viagem longa de Toronto – Nova Iorque – Istambul. A cidade apresenta-se exótica ao nosso olhar ocidental, com mesquitas, minaretes, cúpulas, aquedutos subterrâneos, ruínas e estátuas milenares que nos levam a recuar até civilizações antigas de cuja herança cultural todo o mundo beneficiou.

A Turquia, porém, tem muito mais para oferecer. De avião, comboio, barco e autocarro foi-me dada a oportunidade de conhecer a capital Ankara, as cidades de Konya, Kayseri e Izmir, para além de outros lugares singulares. Entre o que de mais extraordinário vi e me surpreendeu de forma especial foi a região da Capadócia, um dos lugares mais espantosos que me foi dado conhecer no mundo. Fica no centro do país, na região da Anatólia Central, longe do mar e dos grandes centros. A paisagem única dessa região resulta de forte atividade vulcânica, há muitos milhões de anos, aliada à erosão causada pelo vento, chuva e sol.

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O depósito de lava dos vulcões levou à formação de tufos calcários de forma cónica que dão aos vales e montes da região características especiais.  Vemos grandes rochas fálicas,  muitas em formato de chaminés dos contos de fada, e outras em forma de animais variados, em tons de vermelho, verde, castanho e branco que nos causam surpresa e encantamento.

Nos vales da Capadócia, e no interior das rochas, permanecem ruínas de cidades subterrâneas, habitadas durante muitos séculos. Nas cavernas escavadas nesses rochedos que ocupam um espaço correspondente a vários andares acima do solo, houve casas, igrejas e mosteiros.

Valeu a pena visitar o “Museu ao ar livre de Göreme”, pois nunca tinha visto nada no mundo semelhante.   Caminhamos pelos vales verdejantes que contrastam com as cores das rochas vulcânicas, escalamos as entradas naturais para o interior da terra e quase não acreditamos que seja verdade o que os olhos contemplam – uma paisagem de fantasia inacreditável.

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O guia explicou-nos que as cavernas desta região foram habitadas pelo Homem da Idade do Bronze, seguido pelos povos Hititas no século III antes de Cristo, e que foi no século IV um lugar de refúgio para os cristãos. Até ao século XI e XII, ali esculpiram mais de 3.000 igrejas e podemos observar ainda desde pinturas rupestres simples a frescos que constituem verdadeiras obras primas, em cores vivas de vermelho e azul.

São Basílio foi um dos teólogos importantes do cristianismo que ali deixou marcas importantes de sua presença e influência, tendo criado centros educativos nos subterrâneos para divulgação da fé cristã. No século XIV, quando os otomanos, seguidores do islamismo, dominaram a Turquia, os cristãos foram forçados a abandonar aquele local.

Por último, visitei em Zelve um outro museu ao ar livre, uma aldeia fantasma de cavernas, a cerca de 10 km de Göreme, que mulçumanos e cristãos ocuparam em harmonia, até ao século XX. Devido ao perigo de desabamentos causado pela erosão, foi desocupado nos anos de 1950, sendo hoje um paraíso para amantes de escalada.

A Turquia é um país que apresenta, no momento atual, alguma instabilidade política que desencoraja a maioria dos turistas a visitá-lo. A esperança de que num futuro próximo se possa escolher livremente para onde ir, leva-me a sonhar com esse destino, já que fiquei ainda com muito para conhecer.

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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