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Cidade cheia de encantos mil

Entre as cidades mais lindas que conheço, está o Rio de Janeiro. É indiscutível a beleza única dessa “cidade maravilhosa, cheia de encantos mil”, palavras do compositor André Filho e, desde 1960, declarado hino da cidade. Foi a primeira cidade do mundo a ver reconhecido, pela UNESCO, o valor universal da sua paisagem natural.

 

A primeira vez que aterrei no Rio foi no aeroporto Drummond de Andrade, localizado no centro da cidade. Tive a sorte de ter amigos cariocas à minha espera e serem eles a acompanhar-me. Durante umas horas, enquanto deambulámos pela cidade, deixei a bagagem depositada no aeroporto. O receio de andar na rua, devido à reputação do Rio como uma cidade perigosa, foi esquecido durante essa visita guiada. Em qualquer dos lugares que visitávamos, encontrava pessoas simpáticas, com sorrisos e palavras amáveis.

Fundada em 1565, com o nome de “Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro” esta cidade viria a desempenhar papel preponderante quando a corte portuguesa nela se refugiou durante o período das Invasões Francesas. Os 14 anos da permanência de D. João VI no Rio – de 1808 a 1822 – obrigaram a cidade a grandes transformações, devido ao seu papel de sede do império português. Entre os monumentos e outras iniciativas de vulto desse período contam-se o Real Gabinete Português de Leitura, a Biblioteca Nacional, o Teatro São João, o Museu Nacional e o Jardim Botânico.

O centro histórico do Rio leva-nos a recuar até à época opulenta do “império” quando o ouro e outras pedras preciosas abundavam nos cofres da coroa. Palacetes, conventos, igrejas e outros edifícios de arquitetura barroca localizam-se em praças, avenidas e ruas que se assemelham às das cidades europeias da mesma época. 

Entrei na pastelaria Colombo, junto à Rua do Ouvidor, e pareceu-me estar em Portugal num dos cafés tradicionais chiques de Lisboa ou Porto. O café e os bolinhos de doçaria conventual viajaram para o outro lado do Atlântico, traduzindo o nosso gosto pela pastelaria requintada.

De qualquer ponto da cidade, impressiona-nos, particularmente, a presença dos morros verdejantes que são pano de fundo e cenário natural da cidade. Queremos subir a esses lugares para apreciar a vista que conhecemos de livros, pinturas, filmes e telenovelas. O morro do Corcovado, onde se ergue o célebre Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, são ícones da paisagem do Rio, mas, como explicar a beleza da Baía de Guanabara, a enseada do Botafogo, as praias de Copacabana, as montanhas do Parque Nacional da Tijuca?

O clima tropical, quente e chuvoso premeia-nos com o verde dos bosques, as palmeiras e outras árvores de grande porte, arbustos e flores exóticas que se podem admirar dos múltiplos miradouros durante as subidas. No cimo do Corcovado, fiquei comovida e sem palavras, humilde perante a grandeza e maravilha do que me foi permitido contemplar.

Como outros turistas, que visitam a cidade pela primeira vez, optei por ficar num hotel na área de Ipanema e Copacabana, por causa das praias e por ser uma zona menos agitada do que o centro da cidade; aí, assustou-me a presença de muitos seguranças e polícias. Nessa área nobre da cidade, próxima doutros bairros chiques como Leblon, Gávea, Botafogo e Jardim Botânico, fica localizada a Lagoa Rodrigo de Freitas. Estamos num oásis de beleza incomparável, com passeios pedonais, ciclovias, parques para crianças e muitas atividades aquáticas. Porém, as favelas que se estendem atrás, pelos muitos morros da cidade, não nos deixam esquecer a vida de miséria de tantos dos brasileiros e as diferenças sociais.

É obrigatório atravessar a ponte e ir a Niterói, do outro lado da Baía, para, no Mirante da Boa Viagem, conhecer o edifício futurista Museu de Arte Contemporânea, do arquiteto Óscar Niemeyer, que acolhe uma das maiores coleções de arte desde os anos 1950. A vista do Rio, “terra que a todos seduz”, do outro lado de Guanabara, ficará guardada para sempre no nosso espírito. Gostaria de ajudar um estudante da U of T
a ir visitar um país de língua portuguesa?
Pode fazê-lo com um donativo (
tax deductible)
www.donate.utoronto.ca/Marujo

Imagens cedidas por Manuela Marujo

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