Viagens

A Ilha de Samed e outras descobertas

Uma amiga residente em Macau desafiou-me a ir passar um fim de semana na ilha de Samed que era, segundo ela, um paraíso terrestre. Muito já ouvira falar de Phuket e outras praias de sonho que atraem turistas de todo o mundo à Tailândia. Foi fácil convencer-me pois gosto de mar, praias isoladas e água de temperatura amena.   

Dois dias antes, viajei sozinha para Bangkok, e fui descobrir a cidade que ela já conhecia bem. Fiquei hospedada no centro e, tendo lido que a cidade é segura, caminhei pelas ruas sem receio. A poluição sonora foi a primeira coisa que me chamou a atenção: o barulho ensurdecedor dos tuk-tuks, de motas e carros velhos com escapes ruidosos no meio de um trânsito caótico. Por todo o lado, multidões de pedestres que se acotovelavam. Ocupando os passeios, havia vendedores de rua apregoando fruta e comida exóticas assim como quinquilharia de toda a espécie e muito lixo espalhado nas ruas. Vi anúncios de massagens porta sim, porta não, e em barraquinhas improvisadas. Eram sempre jovens à porta, dirigindo-se, em particular, a clientes masculinos.

Voltei a sair à noite, depois de jantar no hotel, mas não me afastei muito. Impressionou-me o número de bares, de mocinhas excessivamente maquilhadas e com roupa sedutora que puxavam, literalmente, os clientes pelo braço. As portas abertas deixavam ver bailarinos de ambos os sexos em poses provocadoras, muitos turistas ocidentais visivelmente bêbados acompanhados por tailandeses jovens, ao som de música a transbordar para a rua. Triste foi ver a prostituição como algo normal, sem qualquer preocupação de ser mascarada.

No dia seguinte, fiz uma visita guiada organizada pelo hotel, e deslumbrei-me com as maravilhas de Bangkok. As estátuas justificadamente famosas do Buda Reclinado, Buda de Pé e Buda de Ouro maravilham qualquer pessoa. Ir ao Palácio Real para ver o Buda Esmeralda fez igualmente parte do pacote turístico. O templo desse Buda, localizado no Palácio Real da Cidade Velha, é um dos lugares mais visitados e que mais admiração causa. Um Buda reclinado em posição de meditação, esculpido de uma só peça de jade com cerca de meio metro, é considerado a imagem mais sagrada de toda a Tailândia.

A arquitetura dos templos budistas diferencia-se em tudo das catedrais e igrejas do ocidente. Os pormenores dos desenhos e pinturas elaborados à mão, em cores garridas e com muito brilho do ouro ali utilizado, foi o que me atraiu a atenção.

Bangkok é famosa pelas compras. Mandar fazer roupa à medida, que fica pronta em poucas horas e nos é entregue pontualmente no hotel, faz parte da experiência. A seda é muito barata, assim como o linho, a cachemira e outros tecidos caros no ocidente. Não resisti a comprar lenços lindíssimos no Museu de Seda de Jim Thompson, o americano lendário que salvou a indústria da seda na Tailândia.

O destino final, todavia, era a ilha de Samed, na província de Rayong, a mais de 200 quilómetros de Bangkok. Fizemos a viagem num táxi muito confortável até chegar a um pequeno cais. Aí, a embarcação destinada a levar os turistas da estância Lima Coco, deixou-nos na praia privada de Ao Phrao. As imagens que tinha visto da Tailândia, com as suas praias de areia branca e água transparente, protegidas por vegetação tropical, correspondiam inteiramente à realidade.

Passar três dias tomando banho em água do mar a 28 graus, comendo comida deliciosa acompanhada de bebidas, relaxando com massagens à sombra dos coqueiros e ao som das ondas do mar é uma experiência inolvidável. A minha amiga tinha razão. Há lugares neste mundo tão perfeitos que nos fazem esquecer a realidade e nos situam, nem que seja por poucos dias, muito próximo do paraíso.

Manuela Marujo

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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