Viagens

À descoberta do Ontário

Com o sol a brilhar, os dias a ficarem mais longos e a temperatura a subir, apetece sair de casa e ir dar passeios ao ar livre. Quem vive em Toronto, a capital da província do Ontário, tem o privilégio de poder, numa hora ou duas, fugir do bulício da cidade e reencontrar a beleza da natureza a poucas dezenas de quilómetros.

Trilha Cup and saucer

Ontário é uma província muito vasta. Quem tiver tempo e disponibilidade, dispõe de um vasto leque de escolhas para passear durante umas horas, passar um fim de semana ou como destino de férias. Há grandes parques provinciais com entretenimento, praias de areia fina e águas calmas onde nadar, rios com rápidos para se fazer canoagem, florestas e terrenos escarpados com trilhas, lagos pequenos e grandes com ilhas… e tantas outras belezas naturais.

Uma ilha enorme que fui conhecer há alguns anos, e que considero digna de ser visitada, é Manitoulin Island, nome que na língua dos Odawa significa “Ilha do Espírito”. Fica localizada num dos grandes lagos, o Lago Huron. De Toronto, a melhor maneira de lá chegar é ir de carro até Tobermory, na ponta norte da Península Bruce, aí apanhar o enorme “ferry”, que pode transportar centenas de passageiros e veículos, e leva cerca de 2h a chegar.

Manitoulin é considerada a maior ilha do mundo localizada num lago. Tem rios, ribeiros e riachos, e mais de 100 lagos no seu interior, lagos estes que incorporam outras ilhas. Aconselho passar um fim de semana ou até planear passar umas férias nesse lugar para poder apreciar a diversidade que a Ilha nos oferece. Há pequenos hotéis e muita seleção de alojamento local; quando lá estive, optei por ficar alojada num B&B, numa zona muito bonita, junto do lago Mindemoya.

Little Current Swing Bridge

Na Ilha, há seis pequenas reservas indígenas, e entre elas, Wikwemikong, dos povos Odawa e Ojibwa, um território que nunca chegou a ser ocupado por europeus. Há a possibilidade de participar em diferentes atividades que nos possibilitam conhecer melhor a vida do povo nativo canadiano (First Nations). Na minha visita, pude assistir a uma cerimónia “pow-wow” da tribo Anishinabek com batuque, cantos e danças tradicionais, e fazer um passeio de canoa ao pôr do sol.

Alguns dos lugares mais turísticos são: as cascatas “Bridal Veil Falls”, onde se pode caminhar por detrás da cascata e mergulhar nas águas cristalinas; e a popular trilha “Cup and Saucer Trail” para disfrutar da vista panorâmica do Niagara Escarpment, em que rochas de quartzo esbranquiçado contrastam com os tons de verde das árvores e arbustos. Outro passatempo é ir visitar um ou mais dos vários faróis de arquitetura e decoração peculiares.

Museu Pioneiros

Quem gosta de história como eu, não deixa de visitar alguns dos pequenos mas interessantes museus da ilha. Ficamos a saber que é muito rica em achados arqueológicos que recuam até 2000 A.C., e que houve contacto com missionários jesuítas no século XVII, muito antes da chegada dos outros europeus que vieram ali fixar-se. Visitei o Pioneer Heritage Museum e o Assiginack Museum com informação suficiente para satisfazer a minha curiosidade.

As principais fontes de rendimento da Ilha são a agricultura e o turismo especialmente destinado aos que procuram atividades ao ar livre. Pesca-se truta, anda-se de canoa, fazem-se trilhas, e descobrem-se miradouros com vistas surpreendentes.  A ilha é pouco povoada e, por isso, quem procura paz e sossego para um fim de semana ou férias, encontra ali o destino ideal.

Após percorrer a ilha, há a opção de sair de maneira diferente da que se entrou, isto é, pode atravessar-se a ponte “Swing Bridge” na cidadezinha de Little Current, que liga Manitoulin Island a terra firme, na margem norte do Lake Huron.

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Imagens cedidas por Manuela Marujo

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