Saúde & Bem-estar

Tudo sob controle. Ou, não!

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DR.

Esse é meu primeiro texto de 2021. Quero contar um segredo: todo ano eu faço a tal da carta chinesa. Já ouviu falar? A carta chinesa consiste numa tradição em que as pessoas colocam, por escrito, todos os seus objetivos para o ano que se inicia. No final do ano a carta é aberta e feita a checagem de quantos e quais objetivos foram ou não realizados. Dizem que escrever é o primeiro passo para a concretização dos desejos. Se é verdade, eu não sei. Só sei que tenho feito isso há alguns anos.

Mas decidi que não vou fazer isso nessa transição de 2020 para 2021. Não quero criar expectativas para absolutamente nada e nem frustrações. Acredito que, como a maioria dos que habitam esse planeta, o desgaste mental foi tão grande que não há mais saúde nem disposição para ficar correndo atrás de algumas metas (recorrentes todos os anos) que, na atual conjuntura, perderam o sentido ou até deixaram de existir. Por isso, minha meta para 2021 é aprender a apreciar mais o momento presente, e se projetos aparecerem, ideias brotarem, eu, simplesmente, vou seguir o meu coração e vivê-los.  Pelas redes sociais  tenho visto muita gente compartilhando do mesmo propósito. Estou chegando à conclusão de que, aos trancos e barrancos, as pessoas estão percebendo que não temos controle de nada.

Dias atrás, eu comecei a acompanhar em um rede social,  uma moça de apenas 20 anos, falando com muita profundidade a respeito da falta de controle que temos sobre a vida. Traçando um paralelo com sua vida pessoal, ela discorre sobre os efeitos da pandemia em nossas crenças de controle de situações.  Como as pessoas se negam a aceitar esse “novo mundo” e como é difícil se adaptarem à nova realidade. Isso porque, geralmente, queremos  ter o controle de tudo o que acontece. E a pandemia nos mostrou que não! Não temos esse poder. E quando percebemos isso, a primeira reação é negar. Não aceitar, não se adaptar.

Gostaria de ressaltar aqui que essa moça, tão jovem, mas muito mais madura que muitas pessoas maiores de 50, tem uma doença incurável que a obriga  usar uma bolsa de colostomia para o resto da vida e a se internar com regularidade no hospital para tratamento. Ela poderia ser uma pessoa amargurada por isso, não é? Mas, não.

Superou a fase de negação e a partir do momento que aceitou sua nova condição, mudou o rumo e o sentido de sua vida. Participa ativamente nas redes sociais produzindo conteúdo, compartilhando informações e mostrando que, apesar das dificuldades, tem uma vida feliz e produtiva.

Diante de tudo isso, quero dizer que a minha meta para 2021, é compreender e mergulhar cada vez mais na simplicidade e riqueza que é a vida. Chega de viver uma vida em busca de alcançar objetivos, muitas vezes inalcançáveis, como se não existisse mais nada além deles. Chega de deixar de lado os singelos e importantes momentos do abraço apertado em alguém, do sorriso sincero, da contemplação da natureza, do recolhimento de uma leitura.

De tempos em tempos a gente tem que lembrar que estar aqui não é ad eternum.  Se você tivesse até o dia de hoje para viver, pergunte-se a si mesmo: eu tive a vida que gostaria? Valorizei aquilo que realmente importa pra mim?

Responda com toda sinceridade que você merece e dependendo da resposta, veja neste momento uma oportunidade para mudar, aqui e agora.

Segundo um provérbio chinês que meu marido sempre cita quando digo que é tarde demais para realizar alguma coisa, “O segundo melhor momento para fazer o que você quer, é o agora”. E o controle está justamente no que você pode fazer no agora. Só! E mesmo assim, até nossa vontade pode tomar rumos diferentes e está tudo bem! O novo rumo pode ser, inclusive, uma melhor versão do inicialmente imaginado. Portanto, não espero nada de 2021. Quero apenas dar a mim mesma a chance de olhar para a vida e dizer SIM a ela.

Adriana Marques/MS

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