Saúde & Bem-estar

Tirando as máscaras para amar

Um tema recorrente em muitos e variados âmbitos é  a busca pela perfeição. Seja nos meios acadêmicos, profissionais ou mesmo artísticos, ele surge com mais ou menos força em algumas pessoas. Nota-se que essa busca  as atinge de maneira diferente. Há o perfeccionista, que tenta passar uma imagem completamente diferente do que é para se ajustar ao que idealiza, e há  aquele que se frustra com o outro que não corresponde ao seu padrão de perfeição. 

 

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Parece que um dos intuitos desse jogo chamado VIDA, é aprender a amar o outro.

 

Segundo o cristianismo, somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Em sendo assim, temos delimitado o que é certo e errado e portanto, devemos atingir a meta da perfeição divina. Não podemos errar, não podemos falhar, não podemos ter defeitos! Exigimos de nós mesmos, o tempo todo, um ser absolutamente sem falhas! Acredito que  a busca pela evolução seja importante sim, mas representar esse personagem perfeito, é muito mais difícil do que ser  uma pessoa autêntica ,que não esconde seus defeitos!

Não ser aceito pelo  que você é, é algo doloroso! Alguns comportamentos tendem a ser criticados por aqueles que buscam a perfeição nos outros. Pequenas falhas como esquecimento de datas, nomes ou coisas do tipo,  atraso nos compromissos, não ser um devorador de livros, ou ser uma pessoa  desorganizada tornam-se motivos de altas discussões entre o perfeccionista das causas alheias e aquele que não se ajusta ao modelo ou padrão esperado.  Comportamentos que não se comparam, por exemplo,  com traição, corrupção, falsidade, mas que se enquadram na categoria “falhas”. E o pior de tudo é que muita gente acaba se mascarando, buscando ser o que não é, para agradar alguém ou um grupo. Se esforçar para ser o mais perfeito possível, para ser aceito, amado ou visto como “normal” perante  essa sociedade insuportavelmente teatral, é castrar a  personalidade.

Querer se ajustar a qualquer custo à pessoa ou pessoas com quem nos relacionamos pode acabar prejudicando a nossa  “fôrma”, e o desperdício de energia gerado para interpretar um personagem provoca tanto sofrimento, que é bem provável que nossa “fôrma” fique seriamente avariada.

Cabe a cada um de nós entender que,  primeiro, não podemos mudar o outro. Segundo, somos um misto de virtudes e defeitos, certo e errado, perfeição e imperfeição.  Então, voltando ao conceito cristão acerca de quem somos nós – à imagem e semelhança de Deus-  convém lembrar que uma das principais personagens presentes nas escrituras cristãs  proferiu a icônica frase: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Parece que um dos  intuitos desse jogo chamado VIDA, é aprender  a amar o outro, apesar da sua (e da nossa) imperfeição. Como somos seres dotados de livre arbítrio, o tempo todo caminhamos entre esses dois polos – perfeição e imperfeição- e fazemos as escolhas  baseados em nossas visões de bem e mal, certo e errado. Cabe-nos  escolher que tipo de  imperfeição consideramos  aceitável e qual perfeição está dentro das nossas possibilidades concretas. E,  finalmente,  independente das  relações que temos e possamos ter ao longo da vida, antes de buscarmos a tão sonhada perfeição, imprescindível se faz  que aprendamos a  amar.

Adriana Marques/MS

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