Saúde & Bem-estar

O inverno e a transformação

Essa semana eu li um texto de uma pessoa que não conheço, mas já quero ser amiga, pelas palavras tão profundas e precisas a respeito do inverno gélido do Canadá, captaram minha atenção e emotividade. Ela comentava exatamente sobre o “tempo de recolhimento e reflexão” que este período rigoroso do clima suscita em nossa alma.    

O inverno não muda só a paisagem, as vestimentas, a frequência de lazer aos finais de semana, e talvez quiçá, o peso corporal, para aqueles que gostam de comer um belo brunch todo domingo de manhã.

Não sei se é a falta de vitamina D proporcionada de forma natural pelo sol que nos induz a um certo recolhimento forçado. Durante o verão somos tragados pelas  atividades e eventos que acontecem disparadamente por aqui, afinal de contas, tem-se que aproveitar cada minuto de calor num curto espaço de tempo, e acaba por nos distrair de um possível confronto consigo mesmo.

Aos finais de semana, quando não há coragem de encarar a temperatura de menos 15°C só para ir ao shopping comprar algo que não precisa, talvez desencadeie intensas reflexões.

Nesse sentido, muita gente acredita que o inverno aqui gera depressão. Considerando estudos nessa área, acho que, em alguns casos, não é necessariamente depressão, mas uma dificuldade de se olhar através do espelho da mente.

Olhar para si mesmo é sempre mais difícil do que olhar para o outro – é por isso, que no fundo, fazendo um “big picture”, e por mais estranho que pareça, eu tenho concluído que esse momento não seja algo ruim, apesar de penoso. Ele me inspira transformação.

Como na natureza, as estações do ano são necessárias para que haja uma harmonia e sincronia em cada detalhe que a compõe: animais, plantas, água, árvores, pólen, sapos, abelhas…

Tem dias que avisto algumas árvores secas, cheias de flocos de neve, e fico pensando, como será que essa árvore, diante de um frio tão intenso, não morre? Como, depois de um tempo, a mesma árvore renasce verde e cheia de folhas? É lindo! E esse questionamento vem porque me recordo que há meses atrás, no mesmo lugar, meus olhos brilhavam quando passava de bicicleta diante de um caminho repleto de tantas árvores bonitas, flores de todas as cores, e pássaros musicando pra lá e pra cá.

Fazendo uma analogia entre nós e os ciclos da Natureza,  talvez esse momento do inverno que nos obriga a ficarmos mais reclusos, seja uma oportunidade de melhor nos conhecer e nos transformar em seres mais fortes, mais belos e criativos. E a transformação, às vezes, dói.  Mas saiba que é possível passar por ela de forma mais amena, sem criar dores que geralmente são ilusórias.

Devemos olhar a beleza do frio, da neve, dos pequenos flocos caindo nas folhas das árvores e as secando, até o momento em que restam apenas galhos secos.

O tempo vai passar e tudo renascerá, como sempre. Os ciclos são ferramentas importantes para que possamos não necessariamente atingir o nirvana  ou o nível divino, mas encontrar a chave que nos permita a sensação de plenitude pelo aqui e agora, seja a estação que for. Talvez seja o desafio mais complicado dessa trajetória maluca chamada vida. Grata pela inspiração, Priscila Garcia Ruzzante Marins.

Adriana Marques

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