Saúde & Bem-estar

Minha força vem do que não vejo

Passei anos acreditando que eu poderia enfrentar esse tsunami que é a vida, sem precisar de nada além do básico para a sobrevivência, ou seja, casa, comida e trabalho.. Com o passar do tempo comecei a perceber que não é bem assim que a banda toca. Descobri que ter esse “básico” não é suficiente. Que passada a dependência infantil pelos pais, ainda assim precisamos do outro. Descobri que, nós, seres humanos, não sobrevivemos à solidão. E que, mesmo contando com companheirismo e amizade, ainda assim sentimos que nos falta alguma coisa mais profunda e inexplicável.

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Créditos: DR.

No artigo de hoje, quero refletir sobre essa lacuna existencial que me levou à busca da espiritualidade.

Após a crença inicial de auto suficiência, passando pela descoberta de que “ninguém é uma ilha”, eu passei a procurar o que chamo de força divina. Conheci e passei por diversas religiões, igrejas, centros, dogmas, e acredito ter sido muito positivo vivenciar tudo isso. Quis também experimentar uma fase de não ir atrás de nada e não precisar dessa força cósmica e assim o fiz  durante anos. Foi algo interessante de viver, pois vivi vários aspectos dessa busca de auto suficiência, de um extremo a outro.  E, particularmente cheguei a uma conclusão sobre tudo isso: preciso me fortalecer através de uma fé em algo que está além da nossa percepção material e que possa explicar a falta de sentido no nosso dia-a-dia. Que possa nos equilibrar num mundo onde existe tanta competição, tanta falta de compaixão e tanta tristeza. Somente a ampliação da nossa visão de mundo pode nos levar aos caminhos da espiritualidade.

Através dela, a gente exercita um novo jeito de caminhar pela vida. Mesmo o mundo desabando, a fé é tão poderosa que constrói verdadeiros pilares para dar sustentação à nossa existência ou âncoras para não sermos levados pelas tempestades.

Não importa qual religião, qual dogma, qual livro sagrado você acredita, o que importa é a sua ligação íntima com essa energia poderosa, que nos revigora quando estamos desanimados ou fracos.

Por isso, eu agradeço por ter tido meu trajeto do jeitinho que aconteceu: o de vivenciar a busca e a negação de Deus. Porque eu consegui tirar uma conclusão essencial por mim mesma e entendi que realmente não estou sozinha e que nada é definitivo ou permanente.

Não adianta querermos impor nada a ninguém, nem conceitos e nem crenças. Isso tem que surgir de forma natural através da experiência de cada um. Experiências que têm altos e baixos, idas e vindas, começos e recomeços.  E cada uma delas tem o seu valor. Quantas vezes tentaram me impor as “verdades absolutas” sobre Deus, e eu me irritava ainda mais, porque não tinha sentido essa força de forma genuína. E tenho sentido, cada vez mais presente dentro de mim, essa energia pulsante de vida, de busca por melhoria interna.

Em contrapartida, passei a defender que cada um entende e enxerga Deus de uma forma e a seu tempo.  E que toda forma é real e deve ser respeitada, assim como o tempo de cada um.

Adriana Marques/MS

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