Saúde & Bem-estar

Ficar doente… a trabalhar!

Não é novidade que certas doenças surgem por consequência de determinados tipos de trabalho – de facto, já há mais de 300 anos (corria o ano 1700, mais precisamente) que Bernardino Ramazzini, por muitos considerado o pai da Medicina Ocupacional, afirmava que o trabalho em condições climáticas adversas e em ambientes mal ventilados podia resultar em doença – para contrariar tal facto, Bernardino aconselhava que se fizessem períodos de repouso, que se realizasse exercício e que se adotassem posturas corretas – de 1700 para 2019 o que mudou? Exatamente nada!

Estas recomendações continuam a fazer todo o sentido!

Hoje vamos focar-nos num determinado tipo de lesões decorrente de certas profissões: as musculoesqueléticas.

LMERT ou LMELT – o que são?

As siglas LMERT ou LMELT significam lesões musculoesqueléticas relacionadas ou ligadas ao trabalho. Incluem um conjunto de doenças inflamatórias e degenerativas do nosso sistema locomotor, abrangindo qualquer lesão ou perturbação das articulações ou outros tecidos.

Apesar de se localizarem com mais frequência nos membros superiores, pescoço, ombros e na coluna vertebral, estas lesões podem também manifestar-se nos joelhos e até nos tornozelos.

Como surgem?

Maioritariamente manifestadas em forma de tendinites, estas lesões aumentaram com a globalização, com o uso de novas tecnologias e com a produção em massa. As principais causas para estas lesões são:

Transporte e levantamento de cargas, sobretudo quando existem movimentos de torção e flexão;

Movimentos repetitivos e/ou com esforço;

Posturas incorretas, estáticas, ou extremas (quase no limite das possibilidades articulares e que causam desconforto articular);

Estar de pé ou sentado, na mesma posição, por longos períodos de tempo;

Exposição a vibrações ou impactos mecânicos, ambientes com má iluminação ou temperaturas baixas;

Trabalho em ritmo acelerado e/ou ausência de períodos de recuperação entre tarefas.

Em conjunto com os fatores físicos, acredita-se também que o elevado volume de trabalho, o baixo nível de autonomia e de satisfação no trabalho, monotonia de tarefas, a pressão e/ou exigência de cumprimento de prazos ou avaliação de desempenho baseada nos níveis de produtividade podem contribuir para o surgimento e/ou agravamento deste tipo de lesões.

Quais os sintomas?

O primeiro sintoma é o mais óbvio: dor! Pode ser localizada, no local da lesão, mas também pode irradiar para outras partes do corpo.

Para além disso, o trabalhador pode ainda sentir “formigueiro” na zona lesionada, sensação de peso, de perda ou perda efetiva de força, fadiga e/ou desconforto, sendo que normalmente os sintomas se agravam no final de um dia de trabalho ou em períodos de maior atividade.

Durante os períodos de férias ou de pausa pode haver lugar a um certo alívio destes sintomas. No entanto, se a lesão não for tratada ou se os comportamentos errados continuarem os sintomas que eram temporários podem agravar-se, tornar-se gradualmente constantes (e podendo até evoluir para doenças crónicas e deformidades) e interferir não só com a atividade laboral como também com atividades rotineiras do nosso dia a dia. Em casos extremos, pode até haver a necessidade de deixar de trabalhar.

Como prevenir ou tratar?

É imperativo que todos os locais de trabalho adotem estratégias de melhoria das condições de exercício da função laboral, que funcionem como medidas de prevenção para este tipo de lesões e também que todos procurem estar devidamente informados sobre esta problemática.

Alguns exemplos de medidas possíveis passam pela disponibilização de equipamentos próprios de transporte de cargas, equipamentos ergonómicos e adequados às funções de cada trabalhador, planeamento de pausas e momentos de relaxamento e a prática de exercício físico regular.

Em questões de tratamento, pode aplicar-se calor (com uma botija de água quente, por exemplo) no local da dor, massajar, ou até tomar um analgésico, mas o melhor será sempre consultar um médico.

Inês Barbosa

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