Saúde & Bem-estar

As plantas e o equilíbrio

Estou vendo esse isolamento social obrigatório sob diversos aspectos. Sou daquelas pessoas que amam a natureza. Amo os animais, amo sentir a terra e cada grãozinho que a compõe entrelaçando por entre os meus dedos, amo sentir um colchão de grama me abraçando, cheio de vida! Barulho de onda de mar então…nem se fala.

Sempre me senti ligada a tudo isso talvez porque, quando criança, morava em uma chácara. Meus pais me ensinaram que devemos ter um imenso respeito pela natureza e que fazemos parte dela. E pensar que algumas pessoas acreditam que são seres à parte de tudo isso, que são mais evoluídos que os animais e plantas, ou que dominam a natureza.

O tempo foi passando e na juventude,comecei a percorrer o caminho da luta pelo meu próprio sustento e, comesse movimento, me inseri na vida mais urbana, mais conectada com o concreto das ruas, pressa e falta de olho no olho. A gente que vive na cidade, na busca por crescer profissionalmente, meio que se desconecta da nossa natureza animal. Que erro!

Nesse caminho insano eu me desequilibrei. Mas quando a idade vai se somando, ano a ano, geralmente, começamos a olhar com mais cuidado sobre o que estamos fazendo com a nossa própria vida, quem somos e para onde queremos ir. É a tal da crise ou balanço existencial! E, nesse processo de busca e autoconhecimento, fui percebendo o quanto o contato com a natureza me fazia falta e o quanto ela poderia favorecer um reencontro comigo mesma.

Essa quarentena não está sendo fácil para ninguém, imagino. Para mim, por exemplo, deixar de fazer minhas atividades normais, de estar com as pessoas, de estar no meu trabalho, na minha mesa, ver notícias tristes de pessoas sofrendo e perdendo suas vidas, está sendo pesado. Mas, ao mesmo tempo, vejo como uma oportunidade de me reinventar, ou melhor, de me voltar para dentro e tomar contato com aquela criança que morava na chácara.

Essa quarentena me obrigou a parar e passei a refletir sobre isso. Morando num ambiente urbano e não podendo, pelas circunstâncias atuais, nem sair parair a um parque, sinto o desequilíbrio batendo em minha porta de novo. Foi assim que eu tive a ideia de ter algumas plantas em casa. Um pouco antes da quarentena começar oficialmente, (com as lojas ainda abertas), eu comprei uma arvorezinha chamada “MoneyTree”.

Mexi na terra para trocá-la de vaso, aguei, fiz fertilizantes naturais com casca de ovo e água de banana. Adorava, dia após dia, perceber brotinhos nascendo e, dois dias depois, se transformando em folhas grandes e vistosas. O fato de perceber a vida se desenvolvendo diante dos meus olhos me gera uma felicidade tremenda. Depois de uma profunda pesquisa por tipos de plantas que se adaptam dentro de casa, fui me apaixonando pelo assunto. Nessas pesquisas, acabei descobrindo uma loja online que tem várias delas. Elas chegaram por esses dias, pequenas, mas lindas. Uma oportunidade incrível de vê-las se desenvolverem.

Todo dia eu rego, jogo um spray de água nas folhas por conta do ambiente seco; e me chamem de louca, mas até converso com elas e, pra mim, é uma alegria imensa esse momento de conviver com a natureza. É o meu lado animal se conectando de novo. É de um jeito improvisado no meio do visual urbano, é verdade, mas é o jeito que encontrei para não deixar de me integrar com aquilo que faz parte de mim.

Além delas, tenho dois gatinhos que me alegram todos os dias. Me considero uma privilegiada por ter esse universo numa caixa de concreto.

Adriana Marques/MS

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