Saúde & Bem-estar

Água alcalina – O julgamento

A água alcalina com certeza já não é desconhecida da maioria das pessoas – apesar de cada vez mais “na moda” pelos benefícios a que é associada, esta água tem sido também alvo de algumas críticas e de alguns “não é bem assim”… Vamos dar início ao “julgamento” da água alcalina.

Antes de mais, convém esclarecer que a água alcalina contém eletrólitos ou passou por um processo de ionização de forma a aumentar o seu pH – o marcador que indica se uma substância é ácida ou alcalina. Sete é um valor neutro, zero corresponde à acidez máxima e 14 é o grau de alcalinidade máxima.

Importa também deixar claro que, quando nascemos, o pH do nosso organismo é alcalino – no entanto, com o passar dos anos e com a influência de fatores externos (como a alimentação, estilo e ritmo de vida, poluição ambiental e por aí adiante) o mesmo tem tendência a tornar-se ácido.

A defesa começa então por dizer que é aqui que a água alcalina pode começar a ter um impacto positivo nas nossas vidas, por auxiliar no combate a esta tendência natural do nosso corpo.

Defende também que águas com pH mais elevado (ou alcalinas) podem beneficiar a função cardiovascular por terem uma maior capacidade de hidratação faces às águas “normais”. Para além disso, sugerem que esta água também tem efeitos antioxidantes, que são capazes de eliminar toxinas e que ativam os músculos, promovem a regulação hormonal, melhoram o funcionamento de determinados órgãos como, por exemplo, o estômago, rins e pâncreas e até que possuem propriedades preventivas de doenças neoplásicas.

Convém realçar o facto de não existirem evidências científicas suficientes para estes benefícios serem, de facto, confirmados. Foram feitos, no entanto, alguns trabalhos específicos com atletas que mostraram alguns resultados positivos.

Na teoria, os atletas  beneficiariam do consumo de água alcalina pois acumulam ácidos nos músculos após o treino. Num trabalho científico publicado numa revista de nutrição desportiva ficou demonstrado que o consumo de uma água alcalina estava associado a uma melhoria da alcalinização do sangue e da urina e a um melhor estado de hidratação.

Do lado da acusação sugere-se que o pH elevado presente nestas águas pode ser prejudicial a nível celular e que a baixa acidez pode facilitar a colonização de parasitas no intestino delgado.

No caso de consumo constante de água alcalina, afirmam que a alcalinidade do estômago aumenta, neutralizando a acidez do estômago e interferindo negativamente na capacidade de digerirmos os alimentos. A juntar a isto, ao contrário do que se crê, uma das causas mais comuns de úlceras é a baixa concentração de ácido no estômago.

A água alcalina, no estudo “Potential benefits of pH 8.8 alkaline drinking water as an adjunct in the treatment of reflux disease”, tem a capacidade de neutralizar por completo a principal enzima necessária para decompor as proteínas (pepsina). Para além disso, esta água, por ter um efeito antibacteriano, pode perturbar o equilíbrio da flora bacteriana benéfica, por exemplo, para o nosso sistema imunitário.

O juiz ouviu ambas as partes e chegou a um veredicto: o melhor e mais importante é beber água todos os dias (um litro e meio a dois litros diários), variando sempre marcas e tipos – mais ácidas e mais alcalinas. Tudo isto com vista ao equilíbrio natural do corpo.

Afinal, nenhuma água é igual à outra e o nosso organismo tem a capacidade de, se necessário, corrigir o pH dessa mesma água – seja no sentido da acidose (baixa do pH) ou da alcalose (aumento do pH).

No final das contas, se beberem água, seja ela qual for, ninguém sai prejudicado. Muito pelo contrário!

E se o juiz decidiu, está decidido.


Autor(a): Inês Barbosa
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