Saúde & Bem-estar

A Saudade

Opinião

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Crédito: DR.

Hoje gostaria de falar de saudade. A saudade tem tamanho, tem cheiro, tem gosto, texturas. A saudade tem olhar, palavras, lembranças, experiências. Digo que a saudade é uma forma de nos teletransportarmos pela vida, como máquina do tempo. Chegamos exatamente onde queremos ou com quem queremos, através da nossa mente. Ela nos dá a possibilidade de sentir novamente um momento, uma experiência anteriormente vivida.

Por isso, sentir saudade não é de todo ruim como pode, às vezes, parecer. Pelo contrário. Sem ela, não conseguiríamos reviver os momentos bons acontecidos no passado.

Em tempos de pandemia, a saudade tem apertado bastante, não é mesmo? Principalmente para aqueles que vivem longe dos seus entes queridos e, agora mais ainda, com as restrições das viagens. Aquele abraço apertado que tanto gostaríamos de dar, parece estar prorrogado por tempo indeterminado. E isso nos causa dor, tristeza e desalento.

Sei que temos a grande vantagem de vivermos numa era em que redes sociais e aplicativos podem, a qualquer hora, nos conectar com os nossos. Mas nada supera o fato de sentir o abraço caloroso daqueles que tanto amamos. Essa troca de energia tão necessária entre os viventes (até os animais precisam do contato físico) e que hoje precisa ser adiada, contida, nunca foi tão valorizada como agora.

Outro tipo de saudade é aquela que você pode sentir sobre alguém que viveu experiências incríveis com você, mas, seguiu um outro caminho, diferente do seu. E, assim, ambos optaram por encerrar um ciclo. É difícil ter maturidade para aceitar que você não pode mais ter aquele alguém na sua vida e que, mesmo de coração partido, a vida continua. A saudade aperta e machuca esse coração e podemos pensar que nunca mais ele irá se recuperar. A boa notícia é que o tempo tudo cura e ameniza, e a saudade se transforma em um belo aprendizado.

Tem também aqueles que perderam entes queridos para a morte, que sabem que a saudade nunca vai ter fim e que o abraço nunca mais vai chegar. Essa, realmente, é uma das dores mais sofridas, parece corroer o coração! É aí que eu vejo a importância da saudade: ela conecta os sentimentos, as pessoas, o tempo passado e o presente, possibilitando, assim, que nem mesmo a morte apague os laços que um dia nos uniram.

Por isso, valorizo o fato de sentirmos a falta, admiti-la, aceitá-la. Porque ela também fala de amor. A saudade nada mais é do que o amor que sentimos por pessoas, por coisas, bolos, cheiro do cabelo da mãe, confissões numa madrugada, pescaria, viagem para a praia e tantas outras referências que vivenciamos ao longo da nossa trajetória e que estão distantes no tempo e das quais sentimos falta.

Muitas vezes temos medo de olhar para essa lacuna porque não entendemos ou não aceitamos que tudo nessa vida é passageiro e que todas as situações mudam. Nada permanece estático. Proponho olharmos esse sentimento ao qual chamamos saudade com serenidade e agradecimento.  É uma dádiva concedida por algo muito maior do que possamos imaginar e que nos permite acessar as verdadeiras preciosidades da nossa existência. Que muitas vezes, no passado, não foram percebidas como tal mas, agora, com a saudade podemos, novamente, nos manter conectados com elas.

Adriana Marques/MS

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