Saúde & Bem-estar

A ansiedade vai atrasar os seus sonhos

Quantas vezes você ouviu: “deixa pra lá, parte pra outra”, dito por um amigo ou parente, que não sabe bem o que dizer num momento de fracasso ou derrota que você está vivendo? Não sei como você se sente quando ouve essa frase tão comum, mas ela me dá uma má impressão tão grande, tão reducionista, beiro até a irritação! Como se fosse fácil tropeçar, cair, se machucar e mesmo assim ter forças para se levantar e continuar no caminho dos sonhos. Mas apesar de ser meio clichê, ela tem uma meia verdade: as tentativas precisam existir, enquanto houver sentido para você e não necessariamente mudar o seu sonho. Para variar, trarei minhas experiências pessoais para me expressar.

Há um tempo atrás, eu comecei a desenhar. Meus primeiros desenhos demonstram uma total falta de confiança, riscos tremidos, rabiscos estranhos, incansáveis marcas de borracha. Mas apesar disso, eu continuei. Lembro que teve um momento que eu pensei em jogar tudo para o alto e parar de fazer o que “não sabia”, pelo menos, esse era o meu pensamento negativo. Olhava para os tais desenhos e sentia que eles não tinham as proporções corretas, não tinha realismo.

Foi quando assisti um documentário de um artista chamado Stanislaw Szukalski na Netflix e foi muito importante para mim, porque é um grande incentivo para valorizar formas não convencionais e entender que cada artista tem a sua própria característica, sem a necessidade de parecer perfeito. Stanislaw apresentava formas inusitadas no meio artístico em que circulava e isso o destacava e o tornava extremamente incrível. Inclusive, recomendo o tal documentário, independentemente de você gostar ou não de arte, pois o incentivo nele contido se aplica perfeitamente para qualquer âmbito da vida. Tome nota: Struggle, The Life and Lost Art of Szukalski.

O problema do meu entrave estava justamente na ansiedade de querer ser uma pessoa que eu ainda não sou. Como estou no início do processo, é preciso experienciar muitas tentativas, formas, texturas, entre outras coisas importantes para o desenho, para assim chegar ao meu objetivo. Após ver o documentário eu senti uma sensação de libertação. Fechei os olhos, respirei fundo e disse para mim mesma “tente outra vez” e dessa vez, sem querer parecer perfeita!

Todos os dias, eu desenhava um pouquinho. Um desenho ali, outro acolá e, aos poucos, fui sentindo prazer em vez de pressão. Não vou dizer para você que hoje em dia está uma maravilha, afinal de contas, mais uma vez, estou iniciando essa fase de ilustradora, mas posso dizer que houve uma grande evolução no que diz respeito à segurança e tranquilidade no ato de criar e realizar um trabalho artístico.

Definitivamente, para mim, não é uma boa tática focar na derrota, no erro e desistir. Enxergar a beleza deste caminhar, das “tentativas” na nossa vida, da possibilidade de melhorar um pouquinho por dia, é muito compensador. Por isso, a ansiedade da conquista dos sonhos precisa ser diluída porque é quase certo que ela vai te atrasar a chegar.

Foque no prazer do caminho de tudo isso. Fala a verdade, não ficou um muito melhor do que “deixa pra lá e parte pra outra?

Adriana Marques/MS

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