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Sussurrar para sobreviver

Embora marcadas como espécie em extinção, as baleias francas têm poucos predadores naturais graças ao seu tamanho avantajado. Esses cetáceos podem atingir 18 metros de comprimento e até 80 toneladas de peso. Os seus filhotes, no entanto, são vulneráveis a ataques de tubarões e orcas. Para protegê-los, as mães recorrem a uma estratégia, agora descoberta por cientistas da Syracuse University, Duke University e NOAA Fisheries’ Northeast Fisheries Center.

Um estudo publicado no último dia 9 de outubro, no periódico científico Biology Letters, mostra que fêmeas com filhotes recém-nascidos reduzem a emissão de um tipo de vocalização conhecido como “chamado”, utilizado para se comunicarem com outras baleias francas. Esse tal chamado produz um “grito” curto, porém muito alto, que se eleva de forma brusca, dura cerca de dois segundos, mas pode viajar longas distâncias debaixo d’água.

A descoberta

Em vez do grito, essas mamãs baleias comunicam com os seus bebés através de um som baixo e rápido, tipo grunhido, audível apenas em curta distância. Esses sons, até agora desconhecidos pelos cientistas, “podem ser definidos como um sussurro humano”, afirmou Susan Parks, professora de Biologia da Syracuse University, e líder da equipa de pesquisa.

Metodologia

Para recolher os dados acústicos, investigadores anexaram, de forma não invasiva, pequenas etiquetas de gravação por meio de ventosas em baleias francas do Atlântico Norte, quando estas se encontravam em áreas de parto na costa da Flórida e da Geórgia. Colocaram etiquetas tanto em baleias jovens e grávidas, quanto em pares formados por mãe e filhote.

Segundo Douglas Nowacek, um dos investigadores, “as mães reduziram de forma significativa a emissão de sinais de comunicação de alta amplitude e longa distância quando comparadas àquelas feitas pelas baleias jovens grávidas”. “E também começaram a produzir esse som baixinho tipo sussurro. Isto sugere que os pares de baleias francas constituídos de mãe e filhote utilizam um tipo de crípse acústica – nome do comportamento destinado a aumentar a capacidade de um ser vivo evitar ser observado por outro – para prevenir o risco de espionagem por orcas e tubarões à espreita em águas escuras das proximidades”.

Os cientistas estimam que existam atualmente apenas 420 exemplares de baleias francas do Atlântico Norte na natureza.

Kika

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