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Inês Pedrosa representou Portugal

Festival Internacional de Autores de Toronto

Esta semana estivemos à conversa com a escritora Inês Pedrosa. A jornalista e tradutora tem lançado várias obras de ficção e não-ficção ao longo de vários anos. Como autora destaca-se o seu estilo vanguardista, questionador dos dogmas da sociedade e o interesse em envolver momentos da história portuguesa nos seus livros. Inês Pedrosa esteve no Canadá para representar Portugal no 40º Festival Internacional de Autores de Toronto, com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua. O Festival decorreu de 27 a 31 de outubro e para a sua participação a escritora trouxe na bagagem um dos seus maiores sucessos: Fazes-me Falta. O livro chega agora ao Canadá, traduzido para inglês, sob o título Still I Miss You.

Milénio Stadium: Que impressões retirou deste festival?

Inês Pedrosa: Foi muito bom. Estive numa sessão com outros autores da Europa, em que eles liam o seu trabalho, na sua língua original, enquanto passava a tradução em inglês para os canadianos acompanharem. E foi uma experiência muito boa. Foi relativamente simples porque li em português, mas ainda vai haver uma sessão em que irei ler em inglês, vamos ver como sai. Tem sido um convívio muito agradável. Conheci escritores que não conhecia, de vários países europeus, e com os quais tenho convivido desde então.

MS: Já tinha estado na América do Norte?

IP: Já estive muitas vezes nos Estados Unidos da América. Recentemente estive num festival em Nova Iorque, precisamente porque tenho agora dois livros. Este ano saiu o Fazes-me Falta em edição americana, no Amazon Crossing. E no ano passado saiu o Nas Tuas Mãos: In Your Hands, por isso chamaram-me. Também já tinha estado em diversas universidades ao longo dos anos. Ao Canadá vim uma vez, em 2008, a convite do Consulado Português. Vim para uma ação no Dia da Mulher, para falar das mulheres e da escrita, e foi aqui em Toronto também.

MS: Traz agora a Toronto o livro Fazes-me Falta. Porquê a escolha desta obra para traduzir e trazer ao Canadá?

IP: Essa decisão depende mais dos editores. Eu estou muito contente com a tradução, porque uma boa tradução faz toda a diferença. Eu tive a Andreia Rosenberg, que foi escolhida pelo meu agente literário, e é de facto espetacular. Porquê esta obra? Penso que o agente terá considerado que livros como este definem mais o meu percurso. Claro que um escritor gosta sempre mais dos últimos livros. Se eu não sentisse que estava a escrever melhor agora, provavelmente não continuava a escrever. Mas foram livros que tiveram prémios e isso ajuda. O meu livro Nas Tuas Mãos teve prémios e o Fazes-me Falta foi um grande sucesso em Portugal. Na altura, o meu agente, que é americano, aproximou-se de mim porque gostou muito do Nas Tuas Mãos. É um livro que conta muito a história de Portugal no século XX. É uma história com muito enredo e que vai à guerra de África, vai à Segunda Guerra Mundial, como se passou em Portugal, os refugiados, os judeus, etc. E a Amazon, quando decidiu fazer uma editora dedicada à tradução, perguntou-lhe sobre histórias de mulheres do Sul da Europa, já que agora há um interesse por isso. E ele lembrou-se do Nas Tuas Mãos e, também, na sequência, o Fazes-me Falta – pelo sucesso que teve e porque é um tema universal: o tema da morte e como sobrevivemos à morte de alguém que amamos.

MS: Este ano lançou O Processo Violeta, que é uma história intensa.

IP: É muito intenso, é verdade. É inspirado numa história que se passou nos Estados Unidos da América, que foi muito badalada. Foi uma professora que se apaixonou por um aluno de 13 ou 14 anos com o qual teve dois filhos, esteve presa muitos anos, etc. Essa história fez-me pensar muito, na altura, sobre os nossos conceitos de maturidade, de capacidade de tomar decisões, quando é que começamos a ser autónomos… chocou-me bastante a violência daquela história. A história foi acirrada, naturalmente – como qualquer história de Romeu e Julieta – pelo facto de a professora ser presa, e presa com uma pena forte. Então é uma história de uma professora em Portugal. Claro que em Portugal a lei é muito mais leve. É uma história passada nos anos 80, quando a lei ainda era mais leve. Foram os anos do boom. Depois da revolução houve um fervilhar da vida noturna em Lisboa, de uma nova gente cheia de esperança e de vontade de mostrar que sabia que era criativa, inovadora, etc. Eu trabalhei muitos anos em jornais e revistas, e participei na fundação de um, que é o Independente. E essa história é inspirada na experiência do Independente, formada por gente muito jovem. Esse jornal vai fazer a cobertura de uma história de uma professora que se apaixona por um aluno, que é, por sua vez, de origem cabo-verdiana, cujo pai não se sabe quem é… tem um enredo forte, mas é sobretudo uma reflexão sobre o que é a maturidade e quando é que temos direito a escolher quem amamos. São perguntas que se podem fazer. Porque é que os adultos têm direito a errar no amor e os jovens são penalizados e considerados inconsequentes. É um livro sobre a maturação de um país e a maturação das pessoas. Violeta é o nome da professora, mas também é o processo dela e de um país que está a passar do vermelho da revolução para o azul do futuro e que está numa transição também ela violeta, digamos.

Telma Pinguelo

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