TV & Cinema

À conversa com Pêpê Rapazote

Poucos conhecem Pedro de Matos Fernandes, mas muitos, em todo o mundo, conhecem Pêpê Rapazote.
Tanto pelas inúmeras participações em diversas novelas portuguesas, como pelos papéis que lhe deram o reconhecimento como ator de nível mundial, no muito fechado mundo do cinema e séries de Hollywood.
Pêpê é um ator diversificado que já fez de tudo – desde papéis de comédia, com inesquecíveis participações na série Malucos do Riso, até às participações em séries como Narcos onde encarnou Chepe Santacruz, membro de um dos mais terríveis e assustadores cartéis de narcotráfico.

Mas não foi esta a sua primeira escolha de vida. Pêpê licenciou-se em arquitectura e exerceu, durante algum tempo, como arquiteto. Até o teatro se atravessar na sua vida e lhe abrir outros caminhos. A paixão pelo teatro entrou-lhe na alma graças a um desafio de uma amiga.“Um dia, uma amiga disse-me “há umas aulas de teatro que começaram agora ou que vão começar” – na altura na Junta de Freguesia de Benfica, em Lisboa, e fui experimentar. Foi amor à primeira vista!

Milénio Stadium: Pêpê Rapazote tem uma marca que o distingue – faz tudo dentro do meio artístico que escolheu para viver – cinema, séries, telenovelas, programas de humor, canta, mas é em cima de um palco que se sente verdadeiramente bem.
Pêpê Rapazote: O palco é de facto a sede que se mata com o público, sem rede. Aquilo tudo que se diz do que é o teatro! Em relação à televisão e ao cinema é tão simples quanto isto – permitem ter uma vida mais desafogada que o teatro. O teatro não permite, nesse sentido.

MS: Em Bem-Vindos a Beirais, Pêpê Rapazote é Diogo Almada, o protagonista desta série da RTP, que é por muitos considerada uma das mais bem escritas de sempre. Episódio a episódio mergulhamos na essência da vida de uma aldeia portuguesa e todos os seus habitantes. Não falta humor, drama, emoção… enfim, não falta vida a Bem-Vindos a Beirais e também não falta Portugal.
PR: O Bem-Vindos a Beirais… o que é que eu posso dizer sobre isso? Identifico-me imenso com o Diogo Almada! Era perfeitamente capaz de ir viver para o uma aldeia pequena, para um ambiente pequeno. Diz muito da Portugalidade e, acima de tudo, faz-me sentir muito confortável, muito aconchegado. Beirais era casa, era família! E eu senti muito… é muito fácil depois sentirmos um bocadinho esta personagem. Nada de esquizofrenias, nada de confundir personagens com a vida real, mas era tão bom estar, era tão aconchegante estar naqueles decors, fazer o Diogo Almada com o meu enorme amigo Jorge Mourato – e com outros, naturalmente. E, de facto, acho que o Bem-vindos a Beirais acabou como líder de audiências na RTP como já não se via – havia um triângulo dourado nesse tempo, na RTP, que era o Preço Certo com o Fernando Mendes, o telejornal e o Bem-vindos a Beirais. Foi uma coisa de aconchego do coração, absolutamente sensacional e que diz muito do nosso país. É o nosso país, é a nossa Portugalidade, é muito do cinema português dos anos 40 onde nós tínhamos o António Silva, o Vasco Santana, o Ribeirinho, símbolos do humor e da ingenuidade que nós temos, e depois ligado também a coisas da terra, do imaginário popular, tudo o que se passa numa aldeia passava-se ali e, então, há uma identificação nacional grande com isto.

MS: Com um grande elenco, uma história muito bem escrita, que diz muito a todos os portugueses, Bem-Vindos a Beirais está a chegar à Camões TV (é já domingo, dia 17 de março a estreia). Pêpê Rapazote que pode dizer para incentivar todos os espectadores a não perderem esta série?
PR: Agora que Bem-vindos a Beirais está a chegar ao Canadá, espero que se divirtam muito com esta série. Os que conhecem Portugal vão lembrar-se perfeitamente de todas as histórias que passam nesta aldeia de loucos (um bocadinho), com este imaginário tão português e tão popular. Vão perceber muito da cultura portuguesa e quem é de segunda e terceira geração, que tem menos contacto com Portugal e que só cá vem nas férias, vai passar a conhecer um bocadinho mais do que é este cantinho tão bonito à beira-mar plantado, cheio de gente tão boa e tão pura, que é o que nós temos de melhor neste país – para além de tudo o resto, são as pessoas! São vocês que estão lá fora também. Não percam Bem-vindos a Beirais!

Madalena Balça

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