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Toronto Black Film Festival

No mês dedicado à herança negra, Toronto acolheu o Black Film Festival. O evento aconteceu de 14 a 19 de fevereiro.
Esta foi a sexta edição do festival de cinema dedicado ao talento e às histórias de raça negra, que aposta na diversidade e na partilha de outros olhares sobre o mundo, como meio para um maior entendimento multicultural.

Jahmil French

Joyce Fuerza, uma das coordenadoras do evento, em entrevista ao Milénio Stadium, salientou que “o objetivo principal deste festival é mostrar o talento, assim como a realidade das pessoas de raça negra e as suas culturas, porque muitos destes artistas não têm uma plataforma para exporem o seu trabalho. Então o Toronto Black Film Festival tenta oferecer esse palco onde a diversidade é bem-vinda, não apenas para canadianos, mas para, como para criadores de todo o mundo.”
Das várias longas-metragens exibidas, duas delas são em língua portuguesa. O Brasil esteve muito bem representado por produções como “Menino 23 – Infâncias perdidas no Brasil” e ainda “Preto no branco”, este último realizado por Valter Rege.
O realizador brasileiro teve oportunidade de nos contar que a sua presença no Festival de Toronto só aconteceu graças à generosidade de todos quantos contribuíram financeiramente, através do crowdfunding que promoveu online. Valter Rege não contou com qualquer outro tipo de apoio e ao Milénio Stadium não escondeu a satisfação por ter conseguido chegar a Toronto acompanhando a sua longa metragem – “estou numa catarse total. Está a ser maravilhoso. No entanto, não foi fácil vir até cá, procurei a ajuda de várias produtoras, e várias outras formas para vir, mas não consegui. Então decidi fazer uma “vaquinha online”, para conseguir 7,500 reais, que não é nada quando se faz a conversão para o dólar… Mas consegui em quatro dias, com a ajuda do meu canal no Youtube, mobilizei muita gente que tornou possível a minha vinda ao Toronto Black Film Festival.”

Valter Rege

O Toronto Black Film Festival abriu com a exibição de “The Rape of Recy Taylor”, e contou na sua programação com a projeção do filme “Boost”, realizado por Darren Curtis. Esta que foi a primeira exibição do filme na província do Ontário. “Boost” está nomeado para cinco categorias nos Canadian Screen Awards – uma gala que homenageia os melhores no mundo cinematográfico canadiano.
Jahmil French, “A-Mac” em “Boost”, é um dos atores nomeados para esta cerimónia – melhor ator secundário – e esteve presente na apresentação do filme em Toronto. “A estreia foi extraordinária. Veio muita gente, com todo o seu carinho e a recetividade não poderia ter sido melhor. O público recebeu o filme como eu esperava. Foi excelente! Obrigado por isso Toronto Black Film Festival.” Jahmil French falou ainda da importância que tem para a sua carreira a nomeação para melhor ator secundário pelos Canadian Screen Awards – “Ainda estou na lua com isso. É sempre reconfortante ser reconhecido entre os melhores. Ter alguém que ilumina o nosso trabalho é como se obtivéssemos uma validação. É muito gratificante como artista, porque nós lidamos com muita rejeição, muita coisa que não controlamos… Por isso, estes momentos são tão especiais para nós. Estou imensamente grato.”
O Toronto Black Film Festival, que arrancou em 2013, tem vincado cada vez mais a sua presença na indústria cinematográfica. Fabienne Colas, fundadora do evento, sublinhou que “este é um evento muito importante para a nossa comunidade. Tem vindo a crescer muito rapidamente. Tivémos mais de 60 filmes provenientes de mais de 20 países, o que é fantástico.”
A edição de 2018 do Toronto Black Film Festival já fechou portas. As luzes voltar-se-ão a acender em 2019.

Por Kika

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