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Rui Veloso “Um café e um bagaço com o Chico Fininho”

Paulo Perdiz

Cantor, compositor e guitarrista, começou a tocar harmónica aos seis anos. Mais tarde deixar-se-ia influenciar por B.B. King e Eric Clapton, lançando com vinte e três anos, o álbum que o projetou no panorama da música nacional, Ar de Rock, dele fazia parte a faixa Chico Fininho, um dos maiores sucessos da obra de Rui Veloso e de Carlos Tê, seu letrista.
É um portuense nascido em Lisboa?
Sem dúvida. Nasci no porto e 3 semanas depois vim para Lisboa. Eu vou muitas vezes ao Porto ,tenho cá a família, pais , irmãos…por isso tenho que mesmo vir cá ver a malta toda.
O que tem feito nos últimos tempos?
Tenho tocado e principalmente viajado. Gosto de viajar e quero aproveitar enquanto estiver bem fisicamente. Quero aproveitar para conhecer locais onde nunca estive, Asia, Américas…por aí.
O gosto pelo viajar é uma razão por ter dado poucos concertos?
Sim um pouco. Já andei tantos anos na estrada a fazer muitos quilómetros, a ter a minha vida toda ao contrário das pessoas ditas normais. Sempre a trabalhar aos fins-de-semana, na altura das férias. Agora prefiro dar menos, bons, bem feitos e viver mais a vida enquanto cá ando.
Que recordações tem de”Magara Blues Band” e “Banda Sonora” ?
“Magara Blues Band” era uma banda que eu tinha na minha cave em 1976, tinha 18 anos. “Banda Sonora” é o Zé Nabo que continua a tocar comigo e o Ramon que continuamos a ser amigos. São coisas de um passado já relativamente longe de mim. Mas guardo muitas e boas recordações.
É verdade que foi a sua mãe a causadora da sua carreira, tudo devido a uma cassete?
É sim senhor. Não foram cassetes mas sim bobines em fita. Entregou na Valentim de Carvalho ao Nuno Rodrigues que era o AR e foi ele que na altura que ouviu e encaminhou para o Vasconcelos…mas sim foi a minha mãe.
Já era material do Ar de Rock o álbum de estreia de Rui Veloso, lançado em 1980?
Só havia o Chico Fininho. Era o único tema que lá estava gravada em português. O resto era tudo em inglês.
Porque é que nunca optou em cantar mais em inglês?
Fui um bocado pressionado em cantar em português. Também na altura tinha conhecido o Tê, uns 3 anos antes. Ele escrevia bem em inglês mas depois “forçaram-no a escrever em português”. Ele começou a tentar em escrever em português e eu a fazer músicas com as letras dele e fomos por aí. Lá gravamos o primeiro disco com músicas novas tudo em português.
Qual é a relação que tem hoje com o Tê? Existe a hipótese de ele voltar a escrever para o Rui?
Não me parece. Acho que não. “Não me cheira”.
O Rui tem a impressão digital típica do Blues Rock . Além dos mestres do Blues, que outras bandas o influenciaram?
Não sei. Eu ouço e ouvia muita coisa. Seguia o rock blues de solista dos USA, dos The Allman Brothers Band e agora mais recentemente tipo The Black Crowes, The Magpie Salute. Bandas de Inglaterra que gosto á muitos anos como os The Divine Comedy…muitas coisas de Pop/Rock que eu sempre gostei. Lista enorme de muitas influencias e variado…lembro me dos Bad Company, Led Zeppelin…
Existe algum preconceito em ser um Blues Man sendo português?
Não sei, acho que não. Pelo menos toquei com o B. B. King e eles gostaram. Acho que não tem nada haver em ser português. Já toquei num encontro de Blues na Suíça, toquei com o Van Morrison um blues e ninguém me disse nada e ninguém me mandou embora. Não tem nada haver, eu pessoalmente entendo bastante bem a linguagem do Blues, tanto que, com o B. B. King nem um ensaio tive entrei directamente para o palco sem ensaiar. Alias entrei sem saber o que ia tocar. Foi um dos meus momentos mais altos mas também um grande “cagaço”. Eu não sabia como é que a banda tocava e eu nunca tinha sentido uma coisa daquelas á minha volta.
Numa carreira de 3 décadas, esse de certeza foi um dos maiores momentos do Rui?
Ui!!! Então não foi…sem dúvida. Se fosse hoje estaria mais seguro. Mas correu bem e guardo de boa memória esse momento.
Ainda fica nervoso quando sobe ao palco?
Mais ou menos. Já fico bastante menos. Antigamente ficava muito mais…imenso até.
A tua carreira, aches que poderá ter sido uma coincidência feliz ou mesmo um dom e queda para ser músico?
Eu acho que nasci para a música, serei para sempre músico. Desde pequeno sempre houve uma inclinação para este lado. De uma maneira ou outra eu seria sempre isto que sou hoje, porque me interessei cedo pela guitarra, tinha facilidade em tocar e abordar o funcionamento do instrumento.
Antigamente é que era bom ou não?
Não. Antigamente é que não era bom. Eu passei pela minha fase a partir de 1980 que andar na estrada não era nada bom. Agora por exemplo a parte técnica está muito melhor o que nesse campo a minha profissão está mais facilitada. Claro que por outro lado existe pontos que não são tão positivos. Esta coisa do CD não se vender, as pessoas habituarem-se que a música é de borla e isso é um problema grave. Depois também apareceram uns indivíduos que tem uma mesinha e uns botões á frente, que quase substituem os músicos utilizando praticamente uma Pen. Maior parte deles, nem sabe o que é ser músico.
Afinal qual é o Porto sentido do Rui Veloso?
O meu Porto Sentido é sempre o meu Porto que eu guardo dentro de mim.
O que gostavas mais de preservar ou recuperar na tua carreira?
De recuperar com certeza a parceria com o Tê seria bastante interessante, até para ver o que nós poderíamos fazer com a idade que temos, mas ele não está interessado e portanto isso não será possível. Era vender cd´s.
Planos para o futuro. Para quando um novo disco?
Estou a mexer me lentamente e andando com as coisas que tenho em estúdio. Ando a fazer arranjos, letras disco novo não sei quando.
Sei que já estiveste no Canadá. Tens boas recordações da nossa comunidade?
Já estive muitas vezes no Canadá. Penso que fui umas 4 vezes. E não me lembro bem mas também fui com os Rio Grande. Gosto muito da comunidade portuguesa, pessoas de trabalho e com muitas saudades do seu país natal. Deixo um grande abraço e votos de saúde e espero um dia voltar a tocar para eles.

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