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PIDE!

A BLAST FROM THE PAST

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Foto: Armando Terra

 

A Polícia Internacional e de Defesa do Estado foi uma polícia de segurança que operou durante o regime de António De Oliveira Salazar. Os papéis principais da PIDE eram o controlo de fronteiras, emigração e imigração e segurança do Estado no estrangeiro.

A PIDE foi estabelecida em 1945, sobre a sua antecessora PVDE, que foi estabelecida em 1933, pelo Decreto de Lei nº 22992. A  PVDE ou Polícia de Vigilância e Defesa do Estado foi criada com dois setores: Defesa Social e Política, usada para prevenir e desencorajar o surgimento da Política Social, e a secção Internacional, usada para o controlo de imigrantes, para prender e deter imigrantes problemáticos, deportar esses mesmos imigrantes e conduzir espionagem e contraespionagem no país ou fora do mesmo. A PVDE foi fundada pelo Capitão Agostinho Lourenço, que mais tarde em 1956 se tornou o presidente da Organização Internacional de Polícia Criminal (lnterpol).

Com início em 1945, a recém-formada PIDE seguiu o modelo “Scotland Yard” de hierarquias e procedimentos. Estes eram garantidos com o mesmo estatuto da “Polícia Judiciária”, tal como poderes alargados para prender, deter, investigar e interrogar qualquer pessoa que fosse reportada por conspirar contra o país ou as suas colónias.

Muitos historiadores e autores consideram a PIDE como uma das mais eficientes e bem-sucedidas organizações de serviços secretos que já existiram. A PIDE estabeleceu redes complexas de telecomunicação, muitas vezes disfarçadas quando instaladas em todo o país e seus territórios. Os seus agentes infiltraram-se em movimentos de independência em Moçambique, Angola, Timor e até no Partido Comunista Português. A PIDE encorajava todos os cidadãos a reportar atividades e atitudes suspeitas, sendo que seriam compensados com incentivos ou financeiramente. Estes procedimentos resultaram num controlo muito eficaz de vários aspetos na vida em Portugal.

Durante a guerra colonial portuguesa, a PIDE criou um exército paramilitar muito bem treinado chamado de Flechas. Em 1969, Marcelo Caetano proibiu o uso do acrónimo “PIDE” e substitui-o por “DGS” (Direção Geral de Segurança). Quando Caetano tomou o controlo do poder depois da morte de Salazar, algumas tentativas foram tomadas para trazer a democracia ao país. Com as guerras coloniais, a supressão de direitos civis e a insurgência geral contra o Estado ditador, foi sendo criado um movimento na direção da democracia. Como resultado, um pensamento futuro com violência não era mais avistado ou presenciado. Isto causou um dano permanente na PIDE, pois não podia usar violência extrema como em tempos pôde. As pessoas sentiam-se com poder. A PIDE/DGS viu o seu fim em abril de 1974, durante a Revolução dos Cravos. A sede da DGS na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, foi cercada por soldados rebeldes e cidadãos zangados com o regime. Os agentes cercados, a partir do telhado, começaram a disparar contra as pessoas, matando quatro civis. Um agente da DGS terá sido morto por um soldado rebelde, enquanto tentava fugir do local. Cinco pessoas foram o total de vítimas do Golpe de Estado que derrubou o longo governo ditador. Nos dias seguintes, muitos agentes desapareceram e outros fugiram para Espanha ou outros países vizinhos. O diretor general Silva Pais foi capturado. Em junho de 1975, 89 dos antigos agentes da PIDE/DGS escaparam da prisão de Alcoentre, uma fuga massiva que nunca foi explicada.

Historiadores acreditam que os ficheiros da PIDE/DGS foram sendo dados ao Partido Comunista Português, que eventualmente os reencaminhou para agentes soviéticos.

Existem três artefactos distintos na minha coleção. Dois passaportes especiais emitidos pela PIDE e um “Certificado coletivo de identidade e viagem”.

  1. Passaporte Especial – Capa Vermelha – Ministério do Interior, PIDE, engenheiro elétrico, posição de capitão, “Missão Especial”, passaporte apenas válido no Oeste da Alemanha. Tinta estampada, Landstuhl, base aérea, 2 de maio de 1958 e reentrada da “PIDE” no aeroporto de Lisboa em 26 de maio de 1958, dia de chegada.
  2. Passaporte Especial – Capa Vermelha – Ministério do Interior, PIDE, engenheiro elétrico, posição de Major, “Missão Especial”, passaporte apenas válido em Espanha. Saída a 19 de novembro de 1962 e reentrada da “PIDE” no aeroporto de Lisboa a 28 de novembro de 1962. (Identidade protegida).
  3. Livrete de 25 agentes da “PIDE” – Cartões de fotografias, validado como passaportes, emitido em Lisboa a 5 de setembro de 1961. Passes válidos apenas em Espanha. Cada passe foi dado aos agentes e tinha de ser devolvido no dia de chegada. (Identidades protegidas). Eram 12 mulheres e 13 homens. 25 passes foram emitidos neste livrete e a minha coleção apenas tem 18 passes devolvidos, sete não foram contabilizados.

PIDE!

The P.I.D.E. or Polícia Internacional e de Defesa do Est ado, was the Portuguese security police that operated during the right- wing dictatorship of Antonio De Oliveira Salazar. The initial roles of PIDE were immigration, frontier borders, emigration, and foreign state security.

 

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Foto: Armando Terra

 

PIDE was established in 1945 from the former PVDE which had been established in August 1933, by Decree Law 22992. PVDE or Polícia de Vigilância e Defesa do Estado was created with two sectors; Social and Political Defense section, used to prevent and discourage social political uprising. Second, the lnternational section, used to control immigration and arrest and detain troublesome immigrants, deport same immigrants and conduct espionage and counter espionage at home and abroad. The PVDE was founded by Captain Agostinho Lourenço, who later in 1956 became president of The lnternational Criminal Police Organization (lnterpol).

Beginning in 1945, the newly formed PIDE followed the “Scotland Yard “ model of hierarchy and procedures. They were granted equal status as the “Polícia Judiciária” , such as extensive powers to arrest, detain, investigate, interrogate any person(s) who had and/or been reported to plot against the state at home or any of its colonies.

Many historians and authors consider PIDE to have been one of the most efficient, successful, and functional secret services to have ever existed. PIDE established a broad and complex network of cells, very often covert which were installed throughout Portugal   and all its territories. Their agents infiltrated independence movements in Mozambique, Angola, Timor and even the Portuguese Communist Party. PIDE encouraged all citizens to report suspicious behaviour and activities, to which they would be rewarded with incentives and monetary   compensation. These procedures resulted in very effective control of many aspects of Portugal’s life.

During the Portuguese colonial overseas wars, PIDE created a well-trained paramilitary unit named Flechas (Arrows). ln 1969, Marcelo Caetano abolished the use of the acronym “PIDE” and replaced it with “DGS” (Direção-Geral de Segurança). The ongoing colonial wars, suppression of civil rights and general insurgency against state censorship all caused a movement towards Portugal becoming a democracy. As a result, a future violence was no longer perceived or present. This caused permanent damage to PIDE who no longer use or threaten extreme violence as it did once. The people felt empowered. PIDE/DGS came to its ultimate end on the 25th of April 1974, during The Carnation Revolution.

The DGS headquarters on Antonio Maria Cardoso Street, in Lisbon, was surrounded by rebelling soldiers and angry citizens. Agents were surrounded and from the top of a building, fired into the crowd, killing four civilians. Eventually one DGS agent was killed by a rebel soldier while trying to escape the scene. Those five people listed were the only victims of the Coup D’état which overthrew the long-standing dictatorship.

In the days following, many agents disappeared while other agents fled to Spain and neighboring countries. The Director General Silva Pais was captured in June 1975 89 former PIDE/DGS agents escaped from Alcoentre Centre Prison in a massive escape that has never been properly explained. Historians believe that PIDE/DGS files were subsequently given to The Portuguese Communist Party, and eventually forwarded to Soviet agents.

There are three distinct PIDE artifacts in my collection. Two special passports issued by PIDE and a “Certified ldentity and Trip Collection”.

  1. Special Passport, Red Jacket – Ministry of the Interior PIDE, electrical engineer, rank of Captain, “Special Mission”, passport only valid in West Germany. lnk stamped, Landstuhl, air base, 02-May-1958 and re-entry “PIDE” Lisbon Airport 26-May-1958, Day after arrival.
  2. Special Passport, Red Jacket – Ministry of the Interior, PIDE, electrical engineer rank of Major, “Special Mission”, passport only valid in Spain. Departure stamp, 19-November-1962 and re-entry “PIDE” Lisbon Airport, 28-November-1962. (ldentity has been concealed).
  3. Booklet of 25 “PIDE” Agents – Photo cards, valid as passport passes, issued in Lisbon on 05-September-1961. Passes only valid in Spain. Each pass was given to agents and each pass had to be returned upon their return. (ldentities have been concealed). There are 12 women, and 13 men. 25 passes were issued in this booklet and my collection only includes 18 returned passes, seven are unaccounted for.

Armando Terra/MS

Leia também: • Galeria dos Pioneiros recebe apresentação do novo livro de Daniel Bastos

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