Música

Quinta do Bill

Os Filhos da Nação

Com mais de 30 anos de carreira e um conjunto de canções únicas, os Quinta do Bill são indiscutivelmente a maior banda folk rock portuguesa. Os oito álbuns de originais editados provam toda uma obra que mistura a emoção das baladas com a energia contagiante do folk e do rock. Tendo como lema “fazer de cada concerto uma grande festa”, a banda é conhecida por atuações energéticas, que perduram na memória de quem os vê ao vivo.

Não há quem lhes fique indiferente. Temas como “Os Filhos da Nação”, “Voa, voa”, “Se Te Amo” e “Menino” entre tantos outros, são verdadeiros hinos, efusivamente cantados por um público de diferentes gerações. Com o intuito de colocar toda a gente aos “pulos”, os Quinta do Bill nesta sua digressão têm contado com a participação nos espetáculos de bandas filarmónicas locais e Carlos Moisés (voz, guitarra e flauta), Paulo Bizarro (baixo) afirmam ser gratificante e um grande desafio. A banda procura fazer de cada concerto uma experiência única.

Milénio Stadium: Trinta e dois anos passados, se não fosse aquele senhor que tinha uma quinta como é que seria a história?

Moisés: A história seria diferente, seguramente. A Quinta do Bill é uma quinta que existe, ainda hoje existe nos arredores de Tomar, e foi onde começamos a ensaiar por volta de 1987 e tivemos que arranjar um nome. Pusemos o nome da quinta, Quinta do Bill, ficou assim. O Bill era o dono da quinta.

MS: Vocês começaram “Sem Rumo”, o título do primeiro disco, mas depois ficaram logo os “Filhos da Nação”.

M: Ficámos passado uns tempos. “Sem Rumo” é o primeiro disco dos Quinta do Bill, que sai em 1992 e “Os Filhos da Nação” saiu só passados dois anos, em 1994. Foi graças, sem dúvida, a essa grande canção que os Quinta do Bill conseguiram o seu lugarzinho no panorama da música portuguesa. Inclusivamente, eu sei que até no Canadá muita gente conhece os Quinta do Bill porque nós já lá estivemos. Tivemos essa honra de estar no Portuguese Day, creio que em 1999, em Toronto, na Wonderland. Foi no parque da Paramount creio eu, já não me recordo bem, mas creio que sim e já estamos com saudades do Canadá (risos).

MS: Entretanto 32 anos passaram a correr.

M: Sim. Hoje, realmente, olhamos para trás e tem sido tudo tão rápido, mas acho que tem sido vivido intensamente e sempre a gostar do que fazemos.

MS: Qual o segredo da longevidade? É gostar mesmo da música?

M: É realmente gostar do que fazemos e darmo-nos bem e gostarmos todos de fazer música, que é o que nos faz andar aqui.

MS: Vocês têm-se mantido fiéis às vossas sonoridades. Sentem que os vossos fãs também se mantêm fiéis à banda? Continuam a acompanhar-vos em todos os concertos?

M: Sim sentimos isso e, felizmente, eu costumo dizer que tivemos a sorte de ter um rol de amigos que já não chamo fãs, mas sim de amigos, que nos seguem há muitos anos. Ainda hoje, pontualmente, em concertos eles aparecem, sempre para nos dar força. Felizmente fomos conquistando muitos, muitos amigos que seguem o nosso trajeto musical, as nossas músicas e continuam a vibrar e é gratificante. 

Paulo: Ainda hoje vamos ter aqui, que eu já vi no Facebook, um grupo de amigas que conhecemos nos princípios dos anos 90, pequeninas. Formaram um grupo que são as “Fiéis Seguidoras”. Vêm cá hoje com as t-shirts que mandaram fazer na altura e já são nossas fãs há muitos anos.

MS: Na década de 80 era forte misturar o folk com o rock e cantar em português. Como era esse ambiente e esse mundo?

M: Eu creio que sim, nessa altura havia os Sitiados, Sétima Legião. Eu creio que, hoje em dia, ainda há muita gente a fazer muito boa música nesse universo da música folk, da música tradicional, apesar de nós misturarmos isso com o rock e com o pop.

MS: Ainda há pontos de interesse na música folk?

M: Eu sinto que sim e a prova disso são os concertos. Nós sentimos e vemos várias gerações nos concertos que gostam e que vibram com este tipo de música, com as nossas canções. É importante eu ter vivido muito aquele boom da música tradicional portuguesa, portanto, todas essas influências também as transportei para os Quinta do Bill. A razão de ser dos Quinta do Bill terem esta abordagem de música folk com rock tem um pouco a ver com as raízes.

MS: E estas roupagens com uma orquestra filarmónica. É fácil trabalhar, é um desafio, é gratificante?

M: É muito gratificante, é um grande desafio. Eu penso que as pessoas depois vão ter oportunidade de ver o resultado final. É um formato onde nós já tivemos várias parcerias, com várias filarmónicas. Eu costumo dizer que é incrível este universo das filarmónicas em Portugal. Para já subiu muito a fasquia em termos de qualidade. É incrível, temos muitos jovens a estudar música. As pessoas vão ter a oportunidade de ver esta fantástica União Filarmónica do Troviscal que é uma banda jovem mas que toca lindamente e este formato para nós é muito gratificante porque revestimos as nossas canções com outras sonoridades, com outros timbres, com muitos instrumentos e eu penso que é muito interessante. Por isso fica o convite para as pessoas aparecerem.

MS: E o tema “No Silêncio do Teu Olhar”, porquê uma nova vida neste tema?

M: É uma canção que saiu em 2012, no álbum das baladas, e nós gostamos tanto da canção que pensamos que ela passou um pouco despercebida na altura e resolvemos pegar nela novamente, mas convidamos uma artista de peso, do universo da música da Galiza, que é a Guadi Galego, que tem uma voz incrível e que participou nesta nova versão e eu penso que as pessoas vão gostar muito. Se tiverem oportunidade não deixem de ouvir porque é muito interessante.

MS: E os planos para um novo trabalho?

M: Estão aí. Todos os dias, a toda a hora, estamos sempre a “magicar” qualquer coisa de novo e futuramente vai, com certeza, aparecer um novo disco da Quinta do Bill.

MS: Vocês asseguram sempre a festa nos concertos. Queria que deixassem agora uma última mensagem para os nossos leitores do Canadá.

M: Eu queria enviar um grande abraço além-mar, portanto, além oceano. Como eu disse há pouco, gostámos imenso de estar com a comunidade portuguesa em Toronto, foi uma experiência incrível. Gostaríamos imenso de voltar, quiçá um dia. Desejo realmente que continuem a ouvir a música portuguesa porque vai-se fazendo muita coisa por cá e eu sei que têm um carinho enorme por Portugal, portanto, envio um forte abraço a todos.

Paulo Perdiz

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