Música

Olavo Bilac – O santo e pecador voltou

Nunca sonhou ser cantor, mas conquistou o sucesso na música no início dos anos 90 com as bandas Santos e Pecadores e Resistência. Tudo começou por uma brincadeira, mas Olavo Bilac acabou por se tornar uma referência nacional. A sua voz é inconfundível e reconhece-se em qualquer parte do mundo.

Milénio Stadium: Como é que tem sido a tua carreira nestes últimos 25 anos?
Olavo Bilac: Há muita alegria, muitas histórias, muita estrada. Depois passei por alguns projetos também muito importantes na música portuguesa: comecei pelos Santos e Pecadores, Resistência, indo pelo Zeca Afonso, tive umas incursões pela música da lusofonia e agora voltei, outra vez, aqui ao som Pop, ao som que toda a gente conhece.

M.S.: 2014 foi um ano muito importante para ti. Foi a edição do teu primeiro álbum a solo.
O.B.: Sim. Foi a tal experiência lusófona. Os meus pais são de Cabo Verde então sempre tive essa curiosidade, acho que qualquer português que tenha vindo de Moçambique, Angola, Cabo Verde, Brasil tem sempre esta ligação muito forte à música lusófona. Então muito à base do cavaquinho e do violão começamos a fazer algumas canções originais e a ir buscar temas emblemáticos desta lusofonia.

M.S.: Sentiste-te confortável nesse formato novo com recurso à musicalidade das tuas origens?
O.B.: Eu sou português, mas nascido em Moçambique e cresci aqui em Portugal por isso a Pop e o Rock têm muito mais influência em mim. Mas também por ter os meus pais, que também ouvem muito essa música da lusofonia – foi algo que ouvimos sempre, desde miúdos. É outra musicalidade. Completamente diferente, mas que me deu um gozo especial porque depois cruzei-me com grandes artistas da lusofonia: cabo-verdianos, angolanos daqui de Portugal, inclusive fui a Angola, a Cabo Verde, fiz auditórios aqui em Portugal. Deu-me um gosto especial ter feito este projeto.

M.S.: Anos 90: Santos e Pecadores, Resistência… uma escola brutal?
O.B.: Olha… foi o que foi. E a Resistência ainda está aí. Mas é isso, é muita estrada, muitas histórias, muita paixão por esta arte. Realmente para se ser músico é preciso gostar muito e dá trabalho, mas quem corre por gosto não cansa e acaba por ser isso.

M.S.: Sentes que com as tuas músicas, quando as escreves e quando as cantas, transmites emoções e praticamente deixam de ser tuas, não é verdade? Embora sejas “dono e senhor” de grandes temas da música portuguesa…
O.B.: Eu acho que esse é o sucesso das canções. Nós podemos morrer, mas há-de ficar uma canção para as pessoas e, realmente, é esse o grande tesouro desta arte: as canções ficarem para as pessoas, deixam de ser nossas e acabam por ser do cancioneiro português, hão-de cruzar gerações. E a Resistência é esse caso, justifica estarem no palco canções feitas há 20 e tal anos e os miúdos hoje em dia cantarem como se fossem deles, como se fosse neste tempo. As histórias repetem-se e o ser humano repete-se com as suas histórias e a verdade de ontem continua a ser a verdade hoje.

M.S.: Um canal, um meio para transmissão das emoções dos teus temas, são as telenovelas. Têm sido um grande impulsionador da tua carreira?
O.B.: É um canal, mas para mim ainda continua a ser a rádio – a rádio ainda continua a ser a montra da música. Mas sim, as novelas vêm dar um outro ar e um outro sentir. As canções vão colar a uma história talvez de um enredo de duas pessoas, de um amor dessa história da novela.

M.S.: Em “Estou Aqui” sentiste necessidade de deixar claro que estás mesmo aqui?
O.B.: Acaba por ser isso. É uma história de amor, mas acaba por misturar tudo porque eu gosto de contar histórias minhas e de pessoas que estão à minha volta. Acho que assim é mais rápido chegar às pessoas, porque nas minhas histórias toda a gente acaba por se rever. Afinal, vivemos todos as mesmas histórias. “Estou Aqui” é muito essa história de amor, que tenta explicar esta “guerra” entre homem e mulher, o andar sempre à procura de perceber como é que as mulheres pensam, como é que funcionam… e isto há-de ser eterno, não é? Para além disso, é um “Estou Aqui” de voltei aqui – à Pop Rock e ao que as pessoas estavam habituadas.

M.S.: Olavo, tu tens raízes moçambicanas. Como te sentes relativamente à tragédia que assolou o teu país?
O.B.: Eu fui lá há pouco tempo para um espetáculo solidário no estádio Maxaquene, fui eu e mais 50 e tal artistas entre moçambicanos e angolanos – de Portugal estava eu e pouco mais. Eu já não ia lá desde os meus oito anos, portanto para mim foi muito especial aterrar naquela terra, sentir os cheiros, as cores, as sensações na pele. Para além de tudo isto aquele povo é realmente especial. Eu acho que acaba por ser uma lição para todos nós que andamos aqui nestas sociedades civilizadas à procura de cada vez mais bens materiais. Lá as crianças até com uma lata no chão brincam felizes, enquanto que as nossas estão entupidas com presentes e nunca estão satisfeitas. Faz-nos refletir e pensar. Mas é aflitivo ver aquelas pessoas, aquela pobreza e ainda por cima ter acontecido aquela tragédia. Espero que as pessoas não esqueçam e continuem a ajudar.

M.S.: Santos e Pecadores – uma separação ou uma pausa?
O.B.: Uma pausa. Muito possivelmente Santos e Pecadores voltarão, vamos ver, temos que falar todos. Essa é a vontade.

Paulo Perdiz

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