Música

Dia 7 de março – Tim a solo em Toronto

“Vontade de desenvolver outros temas originais – mais meus”

Além dos projetos colaborativos e da entrega a uma sempre agitada carreira dos Xutos, que não tem conhecido outro sentido que não o ascendente, Tim vai desenvolvendo uma rica carreira a solo a partir da edição de discos e concertos em nome próprio.

Milénio Stadium: Que diferenças existem no Tim dos Xutos & Pontapés, Cabeças no Ar, dos Resistência, dos Tais Quais, Rio Grande e a solo?

Tim: As diferenças em mim não dou por elas…para além de tocar e cantar em todos eles, os Xutos são os Xutos, onde eu componho escrevo as letras para as músicas que vão aparecendo no grupo; na Resistência o meu papel, em conjunto com o Miguel Ângelo, o Fernando Cunha e o Olavo Bilac, passa pela escolha dos temas, pela produção dos discos e pela direção artística do concerto; nos TaisQuais também assumo a produção dos discos, alguma composição, arranjos e direção dos concertos; no Rio Grande e nos Cabeças no Ar também assumi a produção. A maneira como toco e canto em cada projeto é diferente, sempre tentando servir a identidade do grupo. Foi durante o Rio Grande que me apercebi de que havia espaço e vontade para desenvolver outros temas originais mais meus, escrever sem pensar que é para ser tocado pelos Xutos, o que levou a temas como o “Voar” ou ao “Fado do Encontro”.

MS: Foi fácil encontrar uma identidade enquanto a solo, ou Tim é Tim?

T: Eu sei que sou o Tim dos Xutos! Mas foi natural expandir essa identidade com a ajuda dos vários músicos e cantores com quem tenho trabalhado. Agora tornou-se mais intensa, essa ‘identidade’, pois estou a trabalhar também com os meus dois filhos e como podem calcular existe outra felicidade nisso.

MS: Dividir discos e palcos com tantos nomes leva-te a aprender novos conceitos, novas formas de compor?

T: Sim claro. Ainda bem, pois a certa altura sentia-me limitado só com o trabalho com os Xutos. A partir do Rio Grande passei a ter outra visão sobre a música popular, por exemplo, que me levou a compor para os TaisQuais coisas à viola campaniça como a “Moda das Flores”, compor a música para outras letras que não as minhas, discutir processos, conviver e confraternizar com pessoas de várias áreas, idades e gostos.

MS: Quando inicias um processo de composição o que é essencial para ti, nessa altura? Qual a primeira coisa em que pensas?

T: Bem, a maior parte das vezes começo pela música, normalmente na guitarra, e penso que o que estou a fazer é interessante para mim, dá vontade de tocar outra vez e sinto que daquele bocadinho de inspiração pode resultar uma canção nova. Depois tenho de escrever a letra, escolher o título…

MS: Fala um pouco daquilo que tens feito de maior destaque desde a edição do álbum Olhos Meus, até a“Tim, Companheiros de Aventura”.

T: A começar pelo fim, em 2019 dei um concerto em Lisboa na Culturgest em que toquei pela primeira vez com esta formação que levo a Toronto. Antes tínhamos tocado n’O Sol da Caparica num projeto especial de homenagem aos grupos de Almada, o “À sombra do Cristo-Rei”, dei concertos em nome próprio nos principais palcos nacionais, Coliseus, Casa da Música, CCB, RockinRio, etc, muitas vezes com os “Companheiros de Aventura”, a Celeste Rodrigues, a Mariza, Teresa Salgueiro, o Vitorino, Rui Veloso, Jorge Palma, Camané.. tem sido realmente uma aventura e um prazer!

MS: Quando tocas com os Xutos, o teu estado de espírito é muito diferente do que quando tocas a solo?

T: Xutos é Xutos! Rock do melhor, grandes músicas, grandes músicos, grandes concertos. A solo a música é outra, a exposição maior, os palcos mais pequenos mas a intimidade com o público também compensa.

MS: Já atuaste muitas vezes no Canadá com os Xutos. Que opinião tens do Canadá?

T: Atuei em Toronto muitas vezes com os Xutos, uma vez com os Resistência. Não conheço o Canadá todo, mas posso falar da comunidade portuguesa de Toronto com grande amizade e gratidão por todas as alegrias que já me proporcionaram. Acho a cidade de Toronto muito acolhedora e bonita, agrada-me sempre andar pela cidade e fingir que vivo ali. Penso que o meu concerto aí em Toronto vai ser uma boa surpresa para todos os meus amigos e não só.

MS: Existem planos… um novo disco a solo?

T: Sim, é o que estamos a fazer. Achei por bem gravar em vários locais que me fossem queridos, para partilhá-los com os meus filhos e é por isso que vamos até Toronto para gravar alguns temas. O disco vai-se chamar Três Vintes (TIM 20-20-20) e vai mostrar essas facetas diferentes. Entretanto, surgiu a oportunidade de haver um concerto por aí, no dia 7 de março, vai ser uma boa ocasião para nos encontrarmos!

Paulo Perdiz

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