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Menina e Moça me levaram

Prefaciado por Manuela Aguiar, é um conjunto de 44 histórias, contadas na primeira pessoa, de mulheres das mais diversas origens, profissões e faixas etárias, que, levadas por escolhas alheias (salvo algumas exceções), passaram por processos migratórios em diferentes contextos geográficos. Tendo eu trabalhado durante cinco anos no Canadá, algumas delas são canadianas – Ana Bailão, Carmen Carvalho, Cidália Faria, Ilda Januário e Manuela Marujo, de Toronto; Joaquina Pires, de Montreal –  ou já residiram no Canadá, como é o caso de Humberta Araújo, atualmente a viver nos Açores.

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Crédito: DR

Apesar de estarmos perante experiências distintas, o que muito contribui para a diversidade das narrativas, um fio condutor as une – a enorme força e capacidade de vencer em situações adversas dos novos espaços -, que as fez destacarem-se no universo feminino como referências de afirmação, autonomia, sucesso pessoal e profissional.

Pretende-se com esta publicação celebrar os 25 anos de vida ativa da AMM (Associação Mulher Migrante) que, nas palavras da sua presidente Graça Guedes, se destaca “por ser uma Associação defensora dos direitos de todas as mulheres portuguesas ou estrangeiras, dentro e fora de fronteiras, no domínio das migrações, da luta pelos direitos humanos e pelos direitos das mulheres. (…) Teve um papel singular por preencher uma lacuna no acompanhamento da situação das emigrantes portuguesas, sobretudo depois do 1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no Jornalismo, que a Secretaria de Estado da Emigração realizou em Viana do Castelo, em 1985.”

Como nos diz a prefaciadora que, como Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas conhece bem o terreno por onde durante anos se moveu – “a aventura de correr mundo foi negada às mulheres até para acompanhar os cônjuges, e seria proibida ou fortemente limitada, por séculos e séculos, até à revolução democrática de 1974. A fronteira para as portuguesas foi, ao longo dos tempos, a mais estreita que se pode conceber: os muros ou paredes da casa de família, que, em muitos casos, nem podiam considerar verdadeiramente sua”, para concluir: “A maioria das mulheres aqui reunidas connosco, seus leitores, enquadram-se, à partida, no ‘paradigma bernardiniano’. Mas quem são elas? Que vida se permitiram, sob um manto de invisibilidade que recobria as vivências femininas e era tecido da mesma matéria, do mesmo descaso com que as antigas crónicas, lavradas por homens, ocultavam as suas marcas e contributos civilizacionais?”

Para saberem as respostas, convido-vos a ler esta pequena, mas muito representativa amostra, que será lançada amanhã, dia 27, às 17.30 (hora de Portugal). Para que outra publicação venha a surgir em breve, basta que, todas aquelas que têm vivido no anonimato das comunidades a que pertencem, considerem que é importante dar o testemunho das experiências por que passaram, porque é das suas vidas que se faz a História da E/Imigração.

Uma nota final para todo o simbolismo da capa que, para além de uma imagem feminina, nos mostra um planisfério – o universo de sonhos pelo mundo repartidos – e as andorinhas em voo, aves migratórias que nos lembram o vaivém das migrações.

As Quatro Estações-portugal-mileniostadium

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