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Entrudo, Carnaval e muita diversão

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Crédito: DR

Vamos falar de entrudo, de Carnaval, vamos falar de diversão, animação, partidas e boa disposição! Para começar, um pouco da sua história.

Sabemos que esta festa pagã, tem as suas origens no teatro grego, não como hoje conhecemos o teatro, mas em algo que a par das festas dionisíacas, em honra do Imperador grego Dioniso, Deus do vinho, resultaram numa fusão que terá estado na origem do Carnaval. Foi também beber da influência das festas romanas, que celebravam o início da primavera, as saturnálias, dando vivas à nova estação, colorida e alegre, altura em que se faziam as colheitas e as populações rejubilavam por novos alimentos que a terra fértil lhes havia oferecido! Era um período de festa, sem data fixa, o que hoje ainda acontece já que só no século XVI a igreja católica definiu que esta festividade pudesse ocorrer durante 3 ou 4 dias, após o sétimo domingo antes da Páscoa. Ora o entrudo, que nada mais significa que; entrar em, começo, celebrava a entrada na primavera, e antecedia a quaresma, 40 dias de jejum e penitência, que começava exatamente na 4ª feira de cinzas. É a despedia da carne, donde muitos defenderem que Carne Vale significa, despedida da carne.

Era o momento de celebrar.

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Inicialmente as festividades limitavam-se à casa das classes mais abastadas, onde se atirava farinha, água, e bolinhas cheirosas, chamadas limões de cheiro aos outros convivas. Era uma celebração de certa forma comedida, e entre pessoas da mesma classe social. No entanto estas festas extrapolaram a vivência da casa e começaram a ser praticadas também nas  ruas, onde se faziam outras tropelias, nomeadamente, arremessar pessoas na água das fontes públicas, ficando encharcadas e arrancando gargalhadas a quem assistia. Era já uma expressão transversal a várias camadas da sociedade. O Carnaval não estava já fechado em casa, os bailes de máscaras, onde o anonimato garantia a diversão, ganhava já concorrência no Carnaval de rua, das gentes que aproveitavam esta ocasião para mais tarde ousar até arriscar o tema da sátira social.

Em Portugal, ainda que um país de pequena dimensão, várias são as expressões que o Carnaval toma, desde a festa popular, saloia, às festividades de origens pagãs, até à similitude com o carnaval brasileiro,com a sua excentricidade, tudo podemos encontrar nestes nossos carnavais!

O carnaval de Ovar, Loulé, da ilha da Madeira, têm atualmente uma forte proximidade à excentricidade do Carnaval brasileiro. Mais tradicional é o carnaval nas diversas ilhas dos Açores onde se destacam na Ilha Terceira,os tradicionais Bailinhos de Carnaval, na Ilha de São Miguel, os glamorosos Bailes no Coliseu Micaelense, nas ruas as Batalhas das Limas,e na Ilha da Graciosa, o baile Mandado e o baile de Chocolate. Mais peculiar é o carnaval de Podence, no norte do país e de Lazarim, junto a Lamego.

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Em Podence, os caretos, vestidos de fatos berrantes e coloridos, celebram a saída do inverno sombrio, vestindo grossas mantas e usando máscaras diabólicas e misteriosas. É o Carnaval chocalheiro onde os homens correm pela aldeia juntando-se às mulheres numa dança em que com um chocalho preso na cintura parecem querer fecundá-las. É a analogia à fertilidade que a terra começa a ganhar nesta altura. O Entrudo Chocalheiro de Podence é uma forte atração turística da zona, e em 2019 foi considerado Património Imaterial da Humanidade.

Em Lazarim, os Caretos fazem esquecer o inverno, usando máscaras de madeira de amieiro, austeras, com um ar diabólico, maligno e até bucólico. Na cor da sua madeira natural, as máscaras em geral exibem longos chifres,causando respeito e até mesmo temor. Menos coloridos e mais temerosos. Em Torres Vedras, mais perto de Lisboa, as “matrafonas”, homens mascarados de mulher, com fatos que lhes garantem ficar feios, exageram e satirizam os toques femininos. A par dos Cabeçudos que com as suas cabeças gigantes percorrem as ruas onde uma multidão os espera são um ícone deste Carnaval.

Deixo-vos, pois, algumas das expressões que o Carnaval vive em Portugal. Esperamos-vos no próximo ano, não importa onde!

Luísa Silva Geraldes/MS

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