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Baleia À Vista!

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Havia duas fábricas de processamento de baleias na Ilha do Pico, Açores. Uma estava localizada em Lajes do Pico e a outra no Cais do Pico. 

Nasci na Ilha do Pico, mais especificamente na cidade de São Roque, e vivi na paróquia da Prainha do Norte. Tenho memórias vívidas da fábrica de processamento de baleias em São Roque, que foi originalmente aberta a 29 de agosto de 1942. Era um edifício comprido de um andar, completamente branco, feito de pedra com marcações escritas nas suas paredes, “Vitaminas, Óleos, Farinhas, Adubos, Armações, Baleeiras, Reunidas LDA”. Os escritos estendiam-se pelo comprimento total do edifício. Portas de altura completa de madeira, janelas com parapeito de pedra de lava, material de operação das portas completamente visível e um tipo de dobradiça de cinto. Havia uma rampa que vinha diretamente do oceano até às duas portas primárias, diretamente à área de esfolação. De cada lado das portas existia um sistema de guincho que funcionava a diesel, balançava e fazia barulho quando a baleia estava a ser movida pela rampa acima. Cabos de ferro eram amarrados e envoltos à cauda da baleia. Devagar, o mamífero enorme seria arrastado até que chegasse à área de esfolação.

A área conhecida como a área de esfolação e escorregador era oleosa com o sangue e os restos da baleia anteriormente processada. Eventualmente, as ondas do mar limpavam a rampa. Uma vez na área de esfolação, a abertura da baleia iniciava-se separando a cabeça do corpo; que geralmente era feita primeiro usando uma espada cortante. Os motores a diesel e o sistema de ancoramento foram equipamentos reutilizados de um navio inglês, destruído quando entrou costa adentro a sul da Ilha de São Jorge, em meados de 1948. Após cortarem a criatura enorme em secções, a sua coluna gigante e os seus dentes eram expostos. Os dentes eram muito valiosos e eram subsequentemente divididos por quem estivesse na equipa da morte. Os dentes eram normalmente enterrados no solo, de modo a que o sangue restante, a carne ou as raízes fossem comidos e dissolvidos por quaisquer microrganismos presentes no solo. Cada enterro era mantido de forma confidencial e não era revelado entre cada membro. Assumo que assim se evitava a redução do próprio stock.

Eu visitei a fábrica em diversas ocasiões enquanto ainda estava em operação, para ir buscar pele negra de isco, bom para a pesca. O isco era muito pungente e incluía bocados de gordura e carne da baleia. Se grandes quantidades sobrassem, estas seriam conservadas em sal para uso futuro.

Este artigo não descreve a perseguição e a morte pois eu acho que é óbvio e não precisa de uma descrição gráfica. A morte era feita com um arpão, que está incluído na secção de fotografias a seguir com os artefactos adicionais.

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Crédito: Armando Terra.

Alguns dos itens a seguir fazem parte da minha coleção privada:

  • Arpão, aproximadamente 32” de comprimento – Recuperado da Adega na Ilha do Pico. Marcações escritas apresentam “JML”. Também conhecido como Temple’s Toggle, nomeado em homenagem ao seu fundador, Lewis Temple de New Bedford, Massachusetts em 1848.
  • Arpão, aproximadamente com 30” de comprimento – Recuperado da Adega da Ilha do Pico. Sem marcações visíveis e mais reto em desenho do que no exemplo anterior. Também conhecido como o Arpão de Aço ou Arpão Alternador de Aço.
  • Vértebra de um cachalote, aproximadamente 12” x 14” – Um cachalote tem um total de 184 ossos. É a maior espécie de baleia com dentes, também o maior predador com dentes.
  • Vários dentes de cachalote, de 18 a 26 dentes, que pertenciam à mandíbula inferior. Os dentes mais baixos encaixam em “bolsos” da mandíbula superior. Tamanhos diferentes.
  • Dente de cachalote – Foi esculpido com obras de arte retratando um tema marítimo. Aproximadamente 5” de comprimento.

Se pretende receber mais informações ou tem uma coleção a partilhar, ou até peças para vender, pode contactar-me por email em: [email protected]


Whale at Azores

There were two whale processing plants on Pico Island, Azores. One was çocated in Lajes Do Pico and the other in Cais Do Pico. 

I was born on the Island of Pico, specifically the Town of São Roque and lived in the Parish of Prainha Do Norte. I have vivid memories of the processing plant in São Roque, which originally opened on the 29th of August, 1942. It was a long whitewashed single-story building, stone faced with the following wording chiseled onto the stone walls, “Vitamins, Oleos, Farinhas, Adubos Armacoes Baleeiras Reunidas LDA”. The wording extended along the entire length of the building. Full height wooden barn doors, windows with stone lava rock windowsills, and exposed door hardware with strap hinge type of hardware. There was a cobblestone lined ramp leading up from the ocean to the processing plant’s two main doors, directly in front of the flensing area. At each door there was a diesel-powered winching system that clanked and wheezed as the heavy steel cabling wrapped and tackled around the whale’s tail. Slowly, the enormous mammal would be drawn up the slip, and finally arriving at the flensing area.

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The area known as the slip and flensing area were oily with the blood and remains of the whale previously processed. Eventually the waves of sea water waves would wash the ramp clean. Once on the flensing area, the dismantling of the whale would commence. Separating the head from the trunk was usually performed first, using a cutting spade. The diesel motors and winching system were equipment that had been salvaged from a British ship destroyed when it ran ashore off the south coast of São Jorge Island around 1948. Once the enormous creature had been cut into section, it’s oversized vertebrae and ivory teeth were exposed. The teeth were very valuable and were subsequently divided amongst the killing crew. The teeth were typically buried in inground, so the remaining blood, attached flesh, or roots were eaten and dissolved by any micro-organisms readily available in the soil. Each burial location was kept confidential and undisclosed amongst each member. I assume it prevented shrinkage of one’s own stash! .

I visited the plant on several occasions while it was still in operation to pick up black skin bait used for fishing. The bait was very pungent and included bits of whale blubber and meats. If larger amounts were carried away they would be preserved in salting vats for future use. 

This article does not describe the chase and kill as I feel that it is obvious and does not require a graphic description. The kill was carried out with a toggle harpoon, which is included in the photo section along with a few additional artifacts. 

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Crédito: Armando Terra.

The following are from my personal collection:

  • Toggle Harpoon, Approximately 32” long – Recovered from Adega On Pico Island. Markings stamped “JML”. Also known as Temple’s Toggle, named after founder, Lewis Temple of New Bedford, Massachusetts in 1848.
  • Toggle Harpoon, Approximately 30” long – Recovered from Adega On Pico Island. No visible markings and more blunt in design than first example. Also known as the Iron Toggle or Toggle Iron Harpoon. 
  • Sperm Whale Vertebrae, Approximately 12” x 14” – A sperm whale (Cachalote) has a total of 184 bones. It is the largest species of toothed whales, ultimately also the largest predator with teeth. 
  • Several of a Sperm Whale’s 18 to 26 teeth – From each side of its lower jaw. The lower teeth fit into sockets in the upper jaw. Various lengths. 
  • Sperm Whale Tooth – Has been carved with artwork depicting a maritime theme. Approximately 5” in length.

If you want to receive more information, have a collection to share or pieces to sell, you can contact me by email: [email protected] 

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