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Trovoada raios e trovões

Terra viva

Um relâmpago pode atingir 20.100ºC, aproximadamente quatro vezes mais que a temperatura média na superfície do Sol que ronda os 5.502ºC.

 

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A parte visível de um relâmpago, a sua luz, corresponde apenas a uma pequena fração da energia produzida por esse fenómeno. Apenas 9% desta é eletromagnética, cerca de 90% é dissipada como calor, e cerca de 1% são ondas de pressão que provocam o estrondo do trovão.

O que provoca este espetacular e por vezes assustador evento natural é essencialmente a instabilidade electroestática entre massas de ar húmido.

Havendo grandes diferenças de temperatura, bolsas de ar quente são levadas a subir na atmosfera em velocidades elevadas e, ao atingirem camadas de atmosfera muito mais frias, a água condensa muito rapidamente formando pequenos cristais de gelo que devido ao seu peso contrariam a subida da bolsa de ar quente, havendo, portanto, ar a subir, quente, e partículas a descer, geladas.

Os enormes choques térmicos aliados às fricções provocadas pelas velocidades contrárias, levam à desestabilização elétrica do ar, ionizando-o – o relâmpago resulta essencialmente de ionização e eletromagnetismo.

A energia é de tal ordem que a matéria passa ao estado de plasma, com temperaturas de cerca de 20.000ºC dentro de pequenos canais com cerca de dois a cinco centímetros de diâmetro.

A nível micro, uma quantidade incomensurável de átomos rouba eletrões aos vizinhos para compensar os que perde pelos choques e fricção provocados por uma loucura de velocidades vertiginosas em sentidos contrários. Existem raios negativos e raios positivos, podendo ocorrer nuvem-nuvem ou solo-nuvem. Os mais frequentes são os negativos, atingindo correntes de 30.000 amperes. Apesar de mais raros, os positivos podem atingir os 200.000 Amperes. Em média entre 50 a 100 raios por segundo acontecem no nosso planeta, que resulta num total de um a três mil milhões de raios anualmente – é portanto um fenómeno bastante comum. Acontecem cerca de 240.000 incidentes por raios por ano no mundo e cerca de 6.000 mortes.

Para o observador de um relâmpago, este apresenta-se como uma luz branca ou azulada de uma enorme intensidade, mas que dura apenas algumas dezenas de milissegundos. Essa luz é provocada essencialmente pela temperatura do plasma e também da excitação de azoto existente na atmosfera, sendo este o motivo para uma cor mais púrpura ou azulada.

Recentes estudos relacionam o aumento de poluição com a intensidade de tempestades elétricas e com o número de relâmpagos. Investigadores da NASA, do Goddard Earth Science Laboratories, assim o apontam. A poluição faz com que as partículas de água tenham uma menor dimensão e logo menos peso, retardando assim a condensação e permitindo que estas subam mais na atmosfera levadas nas bolsas de ar quente, levando a maiores diferenciais térmicos potenciando assim as tempestades elétricas.

Esta relação entre tempestades, aquecimento global, alterações climáticas e poluição é por demais consabida. Este intrincado puzzle que é o nosso planeta começa a ter peças desajustadas a mais.

Se não cuidarmos da nossa casa, esta deixará de ser acolhedora para nós.

Paulo Gil Cardoso/MS

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