Ambiente

Terra Viva – Vida Subterrânea

Grutas e cavernas são outro lado da vida do nosso planeta, a diversidade de formações geológicas é imensa, assim como diversas são as formas de vida que vivem debaixo daquilo a que chamamos chão, ou no interior de montanhas e glaciares.

As cavidades subterrâneas naturais podem estender-se por dezenas de quilómetros e são de diversos tipos, podendo ser de desenvolvimento vertical ou horizontal, com espaços a que se dão o nome de galerias ou salões. Existem grutas resultantes de atividade vulcânica, de movimentos tectónicos, de erosão pela água, de formações de corais, de interações químicas e biológicas, do movimento e dinâmica de glaciares, etc.. As mais frequentes existem em zonas formadas por rochas sedimentares. O estudo destes mundos subterrâneos é feito através da espeleologia, ciência que integra uma série de outras disciplinas como a geologia, arqueologia, hidrologia, biologia, paleontologia, topografia, climatologia e outras.

O fascínio e a utilização por cavidades das profundezas da Terra existem desde tempos imemoriais, serviram de habitação e refúgio, de locais de culto ou de intervenção artística. Desde cedo os primeiros humanos ocuparam e usaram estes espaços mágicos e misteriosos. As mais famosas grutas do mundo, por ocupação humana, são as de Altamira, na Cantábria, em Espanha. Descobertas em 1868 atraíram a curiosidade de diversas pessoas e estudiosos, porém as suas fantásticas pinturas rupestres no teto, datadas do Paleolítico Superior, ou seja, de há 40.000 anos, foram identificadas pela primeira vez em 1879 por uma menina de sete anos, de nome Maria, que acompanhava o seu pai, Marcelino Sanz de Sautuola, na exploração da gruta na procura de objetos pré-históricos. Pela degradação das pinturas provocada pela respiração humana, as visitas à Gruta de Altamira são desde há décadas condicionadas, havendo lista de espera de vários anos e sendo dada prioridade à comunidade científica, pode, no entanto, visitar-se uma réplica muito bem conseguida mesmo ao lado da original.

Entre as mais belas grutas do mundo visitáveis, estão as portuguesas Gruta da Moeda, Mira d’Aire, Santo António e Alvados. Ali se podem admirar fantásticas e coloridas estalagmites (crescendo a partir do chão) e estalactites (crescendo a partir do teto); formações cónicas de calcário, decorrentes do gotejamento de água que foi arrastando pequenas partículas durante dezenas de milhares de anos.

Para além dos morcegos, aves, mamíferos e outros seres da superfície que são ocupantes temporários destes micromundos subterrâneos, existe uma biodiversidade imensa e de características absolutamente diferentes da vida da superfície terrestre. Os verdadeiros e permanentes habitantes do ambiente cavernícola são os Troglóbios. Estes seres adaptaram-se geneticamente, ao longo de centenas de milhares e milhões de anos, à escuridão e a um habitat com condições muito próprias. Perderam pigmentação, perderam a visão, nalguns desaparecendo mesmo os olhos, e desenvolveram apêndices de sensibilidade tátil muito apurados. São na sua maioria de dimensão muito pequena. Existem insetos, aranhas, pseudoescorpiões, peixes, anfíbios, etc.. Todos eles extremamente sensíveis a qualquer alteração no seu habitat. Um dos mais emblemáticos seres deste grupo é o Proteus, uma salamandra, que não tem pulmões, respirando por guelras que são externas ao seu corpo.

A Terra é viva em todos os seus recantos. Nós humanos, chegámos há tão pouco tempo a este admirável mundo e temos tanto que descobrir e explorar, porém para tal é necessário preservar e agir com cautela, de maneira a não destruirmos aquilo que ainda nem conhecemos.

Paulo Gil Cardoso

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