Ambiente

Terra Viva – Tragédia no Atlântico

Mais de dois mil quilómetros da costa do Brasil estão a sofrer com uma imensa maré negra.

Mais de 300 praias estão afetadas por um derrame de petróleo sobre o qual pouco se sabe ainda, e que se calcula que seja de cerca de quatro mil toneladas. O impacto faz-se sentir em cerca de 98 cidades dos nove estados da região nordeste.

De momento as autoridades suspeitam que o derrame tenha acontecido no final do mês de julho, a cerca de 700Km da costa nordeste do Brasil, detetando-se apenas em 2 de setembro a chegada da maré negra às praias brasileiras.

Está em curso uma investigação com o nome de código Mácula. Em comunicado feito pela Polícia Federal Brasileira, pode ler-se:

“A partir da localização da mancha inicial, cujo derrame se suspeita ter ocorrido entre os dias 28 e 29 de julho, foi possível identificar o único navio petroleiro que navegou pela área suspeita, por meio do uso de técnicas de geointeligência e cálculos oceanográficos regressivos”, informaram as autoridades da polícia.

“A embarcação, de bandeira grega, atracou na Venezuela em 15 de julho, permaneceu por três dias, e seguiu rumo a Singapura, pelo oceano Atlântico, vindo a aportar apenas na África do Sul. O derramamento investigado teria ocorrido nesse deslocamento”.

As autoridades brasileiras indicam como principal suspeito um navio petroleiro grego, baseando-se num relatório da empresa HEX – Tecnologias Espaciais, havendo a informação de que foram utilizados dados da ESA – Agência Espacial Europeia e da congénere NASA.

Existe um incontável número de espécies afetadas, havendo registo de golfinhos, aves, tartarugas e muitos moluscos mortos. Receia-se também o impacto em espécies já consideradas ameaçadas ou em vias de extinção, como é o caso do peixe-boi.

O derrame ameaça o Parque Nacional de Abrolhos que é um dos locais com maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

Foram já recolhidas cerca de 900 toneladas de petróleo, mas há ainda muito a fazer: a quantidade de óleo e a extensão afetada é de uma enorme dimensão.

Além dos problemas que os animais sofrem de imediato, como a dificuldade em respirar ou de voar no caso das aves, ou da ingestão de petróleo, toda a cadeia alimentar ficará afetada durante décadas. Também os recifes de coral sofrerão uma enorme contaminação com consequências imprevisíveis. Além do impacto no meio ambiente, também haverá um enorme impacto económico, especialmente nas atividades relacionadas com a pesca e a recolha de marisco – centenas de comunidades piscatórias sofrem há já 2 meses com este acontecimento. O turismo, a qualidade de vida e saúde das populações mais próximas das zonas afetadas serão com certeza prejudicados.

Houve mais de 80 derrames de petróleo graves nos últimos 70 anos: calcula-se que cerca 7,4 mil milhões de litros de crude foram lançados nos oceanos. É, com certeza, demais.

Seja por acidente ou por incúria, o certo é que o Homem vai destruindo e contaminando a natureza. Terá de haver uma enorme mudança nas mentes daqueles que são engolidos pela ganância financeira, para que as gerações futuras possam exercer o seu direito de desfrutar da natureza com admiração e respeitando-a.

Paulo Gil Cardoso

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