Ambiente

Terra Viva – Poluição Industrial

Os resíduos industriais correspondem a metade de todos os resíduos produzidos no mundo. Os três países com a maior quantidade anual de resíduos industriais são o Japão, a Rússia e a China. O Canadá ocupa a posição 15 e Portugal a posição 20. Com base em dados publicados em 2016, a nível global, cerca de 80% das águas residuais industriais não são tratadas.

Em princípio, de qualquer atividade produtiva resultam sempre resíduos ou efeitos e/ou materiais não desejáveis. Nos países com maior preocupação ambiental, existem sistemas e leis implementadas que limitam de alguma forma os exageros de poluição. É, no entanto, de extrema dificuldade controlar a sede produtiva, a ambição por dinheiro e poder do homem.

Por setores de produção, as indústrias mais poluentes são: Indústria de Baterias Ácido-Chumbo, Mineração e Processamento de Minérios, Fundição de Chumbo, Indústria de Curtumes e Peles, Mineração de Ouro de pequena escala e artesanal, Lixeiras Industriais, Indústria Química, Indústria de Bens de Consumo de larga escala e Indústria de Tintas.

Alguns dos poluentes mais comuns e de maior perigo resultantes das atividades industriais são: chumbo, mercúrio, ácido sulfúrico, cobre, crómio, cianeto, cádmio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, dióxido de carbono, ozono, amoníaco, resíduos orgânicos de larga escala resultantes da agropecuária, pesticidas e, claro, radioatividade.

O cenário que verificamos a nível global não é nada bom – existem áreas no planeta que atingiram níveis de poluição incomportáveis para a vida. Numa edição da National Geographic News de setembro de 2009, com base numa publicação da Pure Earth – Blaksmith Institute,  são apresentados alguns dos locais mais poluídos do mundo devido a atividade industrial. La Oroya-Peru, Noril’sk-Russia, Linfen-China, Sukinda-India, Chernobyl-Ucrânia, Kabwe-Zâmbia, Dzerzhinsk-Russia, Vapi-India, Sumgayit-Azerbeijão, são locais onde a poluição tem impactos enormes na saúde humana e no ambiente, embora os efeitos sejam maiores localmente, a poluição não tem fronteiras. Em muitos locais como os referenciados as taxas de doenças do foro oncológico são das mais elevadas, as taxas de abortos e de deficiências à nascença são elevadas, os ecossistemas naturais estão extremamente degradados, a poluição de aquíferos é das mais elevadas. Mas não serão só as populações e a natureza desses locais a sofrer com estes atentados ambientais, essencialmente pela dispersão dos poluentes na água e na atmosfera espalhar-se-ão por todo o planeta. Falamos só destes locais porque são aqueles considerados os piores, porém o número de locais com poluição excessiva ultrapassa os 50.000 em todo o planeta. Esta é uma situação incomportável à vida na Terra.

O reequilíbrio de todo o planeta está dependente com certeza de uma diferente distribuição de riqueza, de poder, de condições em que se respeitem os direitos humanos e também a sustentabilidade ambiental. Quem gere, quem produz, quem tem responsabilidades de legislar e de fiscalizar, cada empresário, cada trabalhador, no fundo cada um de nós, tem de ter consciência sobre as suas ações e do impacto que podem ter na vida na Terra.

Aquilo que pensamos ser necessário à sobrevivência presente, a todo o custo, custar-nos-á a sobrevivência futura. E se por ventura se acreditar que as consequências atingirão outros que não nós, basta refletir nos casos de cancro contraídos devido ao contacto com substâncias perigosas em locais de trabalho, ou por habitação em locais com poluição excessiva, sejam eles patrões ou trabalhadores, todos estão expostos.

Se queremos ter qualidade de vida enquanto esta durar, e desfrutar da natureza e da vida, só o conseguiremos se as tratarmos com respeito e admiração.

Paulo Gil Cardoso


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