Terra Viva – Papagaio-do-mar

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Um dos animais mais emblemáticos do Canadá passa o Inverno em Portugal.

Para o Papagaio-do-mar não existem fronteiras. Esta pequena, mas bela ave, nidifica e reproduz-se durante os meses mais quentes, nas zonas costeiras do Canadá, da Gronelândia, da Islândia e na zona norte das Ilhas Britânicas. No inverno procura temperaturas mais amenas e desloca-se mais para Sul em bandos que ultrapassam os mil indivíduos. Durante os meses de outono e inverno podem ser vistas grandes colónias ao largo da costa portuguesa, sendo os locais de melhor observação e onde se conseguem avistar maior número, a ponta da Atalaia-Aljezur no Cabo de São Vicente. Existem também documentadas observações feitas em Esposende, Foz do Cávado, Praia da Torreira, Cabo Mondego, Cabo Carvoeiro, Cabo Raso e Cabo Espichel. A sua observação não é fácil a partir das praias porque normalmente não se aproximam muito da linha de costa, no entanto com uns simples binóculos ou telescópio poderão observar-se grandes “jangadas” por vezes com várias centenas de exemplares. Podendo ser avistados em passagem durante os meses de outubro a abril, em bandos com mais de 1000 exemplares.

Apesar de parecer um mau voador, de voo atabalhoado e batendo as asas cerca de 400 vezes por minuto, conseguindo atingir velocidades de cerca de 88Km por hora, desloca-se milhares de quilómetros, passando meses consecutivos no mar e no ar, sem pousar em terra firme, apenas o fazendo para nidificar.

Esta ave marinha com apenas 28cm a 30cm e cerca de 400g é uma excelente nadadora mergulhando até aos 60m de profundidade em busca de alimento, durante 20 a 30 segundos sem respirar, caçando essencialmente enguias, pequenos peixes, moluscos e crustáceos.

O Papagaio-do mar vive até cerca de 20 anos, os casais juntam-se para a vida e geralmente voltam sempre ao mesmo ninho, onde a fêmea põe apenas um ovo que demora entre 39 a 45 dias a ser chocado. Quando a cria nasce é alimentada por ambos os progenitores, ficando sempre um no ninho enquanto o outro vai pescar pequenos peixes para alimentar o juvenil. Escolhem normalmente zonas íngremes e rochosas para fazer os ninhos com penas e ervas, que mais se assemelham a tocas. A cria abandona o ninho ao fim de 34 a 50 dias, sendo a sua saída feita de noite para evitar predadores, depois de sair do ninho passa dois a três anos sem regressar a terra.

A orientação destas aves é ainda um mistério, os cientistas colocam várias hipóteses: memorização de pontos de referência, campos magnéticos da Terra, cheiros, sons ou até mesmo as estrelas.
Estas aves atingem a maturidade sexual com a idade de quatro a cinco anos, a época de acasalamento acontece entre março e maio. A corte é ruidosa, batendo com os bicos e emitindo sons peculiares que por vezes se assemelham a gemidos humanos de prazer.

Esta espécie ainda não está muito ameaçada, no entanto com a pesca predatória feita pelo homem exatamente nas zonas onde o Papagaio-do-mar se alimenta provoca escassez de alimento. Os resíduos plásticos, redes perdidas, derrames de combustíveis, são a causa de morte de muitos exemplares que se vão encontrando nas praias. O aumento do nível do mar provocado pelo aquecimento global é também um fator negativo uma vez que muitas zonas de nidificação são submersas.

Se fizerem o mesmo que o Papagaio-do-mar e resolverem passar o Inverno em Portugal, num daqueles dias de Sol de Inverno e mar calmo, peguem nuns binóculos, escolham um ponto alto e procurem ver no mar este fantástico migrante.
Desfrutem da Natureza com respeito e admiração.

Paulo Gill/MS

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