Ambiente

Terra Viva – Os Fungos e os seus frutos

Aquilo a que chamamos cogumelos são frutos de alguns macro-fungos. A família dos fungos é imensa – desde o bolor à levedura existe uma enorme variedade.

O reino Fungi é considerado à parte dos reinos animal e vegetal. A ciência que estuda estes seres é a Micologia – muitas vezes é tratada como um ramo da Botânica, apesar de através da genética sabermos que este ramo da vida é muito mais próxima dos animais do que das plantas.

Estima-se que existam cerca de 1,5 milhões de espécies de fungos, estando atualmente apenas cerca de 5% identificados. Estes seres têm uma importância extrema na vida na Terra por serem decompositores de matéria orgânica, desempenhando uma ação fundamental nos ciclos dos nutrientes.

Utilizamos os fungos desde tempos imemoriais: na alimentação direta (cogumelos e trufas), na fermentação (cerveja, vinho, etc.), como levedura (pão, bolos, etc.), maturação de queijos (roquefort, camembert, etc.), na medicina e saúde (antibióticos como a penicilina), usamos enzimas produzidas por eles como detergentes e até os aproveitamos como pesticidas e controlo de pragas.

Como tudo o que existe, os fungos têm coisas positivas e negativas para o ser humano e para os restantes seres vivos – a dinâmica é a sobrevivência que cada espécie persegue. Existem variedades de fungos que podem criar graves problemas em sementeiras ou em outros ramos da agricultura, ou serem patogénicos para os humanos e outros animais.

Muitos cogumelos e trufas são passíveis de serem usados na alimentação humana, na medicina, na diversão ou em rituais mágicos e religiosos. Calcula-se que apenas 10% sejam ingeríveis sem efeitos indesejados.

A produção para a alimentação humana integra mais de 20 espécies de cogumelos cultivados em larga escala, sendo os maiores produtores mundiais a China, E. U. A., Polónia, França e Holanda. Alguns dos mais comuns na alimentação são os Portobellos, Cantarelos, Marrons, Champignons de Paris, Maitake, Shiitake, Shimeji, Lactarius, Agaricus Champestris e Morchella, havendo no entanto uma enorme variedade, tanto silvestres como de produção em larga escala. Os cogumelos são ricos em proteínas podendo inclusive substituir a carne na alimentação humana.

Alguns cogumelos têm substâncias antimicrobianas, antioxidantes e estimulantes do sistema imunológico humano. A sua importância na prevenção e combate ao cancro tem sido cada vez mais verificada e assumida, porque contêm substâncias naturalmente anticancerígenas. Os estudos nesta área têm-se desenvolvido muito nos últimos anos, havendo já resultados muito positivos.

A recolha de cogumelos silvestres não será, com certeza, para qualquer um. É necessário algum conhecimento para a identificação das espécies comestíveis, havendo muitos cogumelos com aparência idêntica que se podem revelar comestíveis apenas uma vez, ou seja, mortais. A apanha e recolha em larga escala de cogumelos silvestres acontece em algumas zonas do planeta, normalmente sazonalmente, como é o caso de Portugal.

Os decompositores, como os fungos, são essenciais no equilíbrio dos ecossistemas decompondo os restos de seres vivos, como plantas e árvores mortas ou cadáveres e excrementos de animais, fazendo assim a reciclagem de matéria orgânica, sais minerais e outros materiais, fomentando a purificação da água e a fertilidade dos solos. Assim se verifica que também eles são essenciais à Terra Viva.

Quando chegam as chuvas de Outono muitas das florestas portuguesas são invadidas por pessoas que fazem a sua apanha, muitas das vezes sem os cuidados necessários para preservação da continuidade da existência dos próprios “míscaros”. Ao recolherem os frutos dos fungos maciçamente, comprometem a sua existência nos anos seguintes, devendo por isso recolher-se moderadamente e não usando cestos ou baldes de plástico, mas sim de vime ou com orifícios para permitir que “esporos e sementes” se espalhem de modo a garantir que haja cogumelos nos anos seguintes. Para que continuemos a desfrutar da natureza devemos fazê-lo com sapiência, com respeito e admiração.

Paulo Gil Cardoso

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