Ambiente

Terra Viva – O Bailado das Marés

Desde que existem oceanos na Terra, o “bailado” das marés condicionou a vida de milhões de seres vivos. Tanto os que vivem em terra, como os que vivem no mar, ou aqueles que vivem no limiar dos dois ambientes.

Por exemplo, no Canadá, na Baía de Fundy, onde ocorrem as maiores marés do mundo, a força dos fluxos de água levam à baía o equivalente à água de todos os rios do planeta juntos, o que permite um enorme manancial de plâncton e krill, com que as Baleias Francas do Atlântico Norte se deliciam, todos os verões.

As marés existem devido à ação combinada da rotação da Terra com as forças gravíticas da Lua e do Sol. Os alinhamentos entre Terra, Lua e Sol são as principais razões de diferenças nas marés ao longo do ano. As amplitudes entre a maré cheia e a maré vazia variam consoante os locais no planeta, sendo condicionadas por muitos fatores, desde geomorfológicos, passando por ventos, correntes, pressão atmosférica, temperatura da água e do ar, e mais um sem número de vetores. Além dos ciclos diários, existem ciclos mensais, anuais e até de ciclos de vários anos. Todos sabemos que as marés vivas acontecem em período de lua-cheia, por exemplo. Os ciclos diários mais comuns são o de duas marés cheias e duas marés vazias em cerca de 24h, aproximadamente a cada 12 horas e 24 minutos repete-se um pico de maré. Só para exemplo, os ciclos lunares de 19 anos levam também a diferenças cíclicas nesse período, havendo períodos em que as amplitudes são mais elevadas em certas alturas desses 19 anos.

Estes ciclos condicionam as vidas de muitos seres na sua alimentação, na sua reprodução, nos seus ciclos de atividade, na respiração, nas deslocações diárias ou nas migrações sazonais.

A relação da Lua com as marés deve ter sido das primeiras perceções que o Homem teve na sua relação com o mundo. Desde tempos imemoriais que se observou e utilizou esta dinâmica natural em proveito da vida humana. Os povos que tinham uma relação mais direta com o mar, como os Fenícios, tinham já um conhecimento muito detalhado sobre as marés. Muitos pensadores e estudiosos ao longo da história se debruçaram sobre esta mecânica e os seus efeitos, desde Posidónio no séc. I a.C., passando por Kepler, Galileu, Descartes, Newton ou Laplace.

Hoje estudamos as forças de maré para aproveitarmos as suas energias na produção de eletricidade ou continuamos a desenvolver técnicas em zonas costeiras para a aquacultura e outros fins.

Existem no entanto algumas preocupações com possíveis mudanças neste “bailado” consequentes das alterações climáticas provocadas pelo Homem, e que se prendem essencialmente com a subida das águas do mar em certas zonas do globo que poderão ter consequências graves para a vida e atividade humanas, e também na alteração de habitats para muitas espécies.

Como a superfície da Terra é coberta em cerca de 71% por água, percebe-se a importância que as marés têm em todo o funcionamento deste planeta, perceber a mecânica e relação de todas as peças do puzzle poderá ser uma tarefa que jamais se concluirá, mas basta compreender apenas um pouco, para poder usufruir da natureza com respeito e admiração.

Paulo Gil Cardoso

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