Ambiente

Terra Viva: Escaravelhos – Rinocerontes e Vacaslouras

Repugnantes e assustadores para uns, animais de estimação para outros, os escaravelhos da subfamília Dynastinae são seres incríveis, sendo recicladores de nutrientes nos ecossistemas.
Os escaravelhos ou besouros desta subfamília são parte fundamental na criação de manta-morta e de fertilização dos solos.

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Existem mais de 1.500 espécies em todo mundo, sendo a maioria das espécies nativas do Continente Americano. Caraterizados pelos seus chifres, estes escaravelhos são conhecidos pela sua força, tendo a capacidade de movimentar o equivalente a mais de 800 vezes o seu peso, podendo algumas espécies atingir até 16cm. O seu tempo de vida é de oito a 10 meses, existindo no entanto espécies que podem chegar aos 2 anos. As suas larvas alimentam-se de matéria orgânica, havendo uma grande relação entre estes besouros e árvores mortas, com especial incidência em restos de carvalhos caídos. Os adultos alimentam-se de seiva, néctar ou frutos maduros. As árvores mortas nas florestas são essenciais para a sua reprodução e alimentação. Grandes incêndios e limpeza excessiva das matas é uma ameaça para estes escaravelhos.

Apesar de algumas espécies serem consideradas pragas para a agricultura e plantações, como é o caso do Besouro dos Cocos, a maior parte é benéfica à fertilização dos solos e ao equilíbrio dos ecossistemas. Nalgumas zonas do globo as larvas são até usadas na alimentação humana.

Este tipo de escaravelhos são animais pacíficos, apenas se tornando agressivos nas suas lutas por disputa pelas fêmeas em altura de procriação, mas a agressividade consiste apenas em empurrar para longe da fêmea os adversários.

Entre maio e agosto são as alturas em que se poderão observar estes animais. Após 2 ou 3 anos de forma larvar, depois de passar pela metamorfose, os adultos têm apenas algumas semanas para encontrar um parceiro, pôr ovos e morrer.

São animais atualmente ameaçados essencialmente pela destruição de florestas, existindo um pouco por todo o mundo movimentos que tentam salvaguardar a sua existência, como é o caso da VACALOURA.pt – Rede de Monitorização da vaca-loura (Lucanus cervus) em Portugal, conforme se pode ler no seu site: “VACALOURA.pt é um projeto 100% voluntário que pretende envolver os cidadãos na conservação da vaca-loura (Lucanus cervus) e das restantes espécies de escaravelhos da família Lucanidae (Lucanus barbarossa, Dorcus parallelipipedus e Platycerus spinifer) em Portugal, através da compilação de dados sobre a distribuição e estado das populações e também de educação ambiental. Nasceu de uma parceria entre a Associação Bioliving, a Unidade de Vida Selvagem do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, a Sociedade Portuguesa de Entomologia (SPEN) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), fruto de um interesse partilhado e da combinação de diferentes valências e áreas de atuação de cada entidade para a conservação destas espécies.”
Para observação da Vacaloura os melhores distritos são Braga, Porto e Aveiro. Estando em Portugal entre os dias 21 e 23 de Junho, qualquer pessoa poderá participar gratuitamente em atividades que irão decorrer em Vizela, Lousada, Santa Cruz da Trapa, Estarreja e Sintra. Havendo interesse e curiosidade em conhecer estes fantásticos animais e os seus habitats, passando agradáveis momentos, basta consultar o site deste louvável movimento.
Para usufruir da natureza com respeito e admiração nada melhor do que ir ao seu encontro.

Paulo Gil Cardoso

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