Ambiente

Terra Viva – Aves Portuguesas em Declínio

A SPEA- Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, publicou esta semana um relatório fruto de 18 censos de aves realizados ao longo de 15 anos em que participaram muitos voluntários e associações que se dedicam à observação e preservação da natureza em Portugal.

Globalmente, os resultados destas contagens evidenciam uma clara regressão do número de muitas espécies de aves comuns em Portugal. Existem, no entanto, algumas espécies que tiveram um aumento de população. O grande problema está na tendência para a diminuição da diversidade.

As aves comuns dos meios agrícolas que mais diminuíram em número entre 2011 e 2018 foram:

– O pintassilgo teve uma diminuição de 43%; cegonha branca com uma diminuição de 44%; Fuinha dos Juncos diminuiu 51%; Andorinha dos Beirais teve uma diminuição de 49%; Andorinha das Chaminés com uma diminuição de 58%; Picanço Real diminuiu 54%; Abelharuco teve uma redução de 65%; Pardal Comum diminuiu 29%; Milheirinha com uma redução de 40%.  O estudo avança como causas prováveis para o declínio destas espécies a alteração da produção agrícola, havendo maiores extensões com monoculturas intensivas. Estudos noutros países europeus, nomeadamente em Espanha e na França, apontam também para a redução das mesmas espécies.

Relativamente às espécies de aves de habitat florestal, existem também algumas com tendências muito negativas, como são os casos de: Chapim-rabilongo que teve uma diminuição de 58%; Cuco com uma redução de 30%; Picanço-barreteiro diminuiu 80%; Chapim-de-poupa teve uma redução de 48%; Cotovia dos Bosques teve uma redução de 36%; Cotovia-dos-bosques com uma diminuição de 36%; Rola Brava diminuiu 80%. Eventualmente, a destruição de habitats e também o aumento da atividade agrícola poderão estar a condicionar as populações destas espécies – claro que não são de excluir as alterações climáticas, desde as condições de temperatura e pluviosidade, assim como a alteração dos padrões relativos às estações do ano.

Também outras aves comuns em Portugal como a Águia de-asa-redonda com menos 42%, a Garça-branca-pequena com menos 77%, o Peneireiro-cinzento com menos 82%, são espécies que denotam reduções significativas e que levam a chamadas de atenção por parte comunidade científica.

As aves com maior crescimento nos censos realizados também neste período de 2011-2018, foram: Escrevedeira com um aumento de 102%; Cotovia-de-poupa com um aumento de 68%; Trigueirão com crescimento de 44%; Pega com um aumento de 45%; Pombo-torcaz com crescimento de 285%; Peto-real cresceu 56%; Trepadeira-azul teve um aumento de 53%; Rola-turca com um crescimento de 64%. A brochura da SPEA refere também que o Mocho-galego e a Coruja-das-torres também estão com uma tendência negativa, referindo que em geral as aves noturnas em Portugal tiveram uma diminuição acentuada nos últimos 10 anos.

Algumas aves das zonas estepárias do Alentejo como o Sisão sofreram uma redução para metade da sua população nos últimos 10 anos. Porém nem tudo são más notícias: depois de anos em que as Abetardas andaram em números muito problemáticos, conseguiu-se, através de medidas de proteção, recuperar o número desta espécie, sendo que em 2017 se contaram cerca de 1200 na zona de Castro Verde, que por sinal não são apresentados números relativamente a esta espécie na publicação da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

Depois de ler as 90 páginas deste estudo da SPEA ficamos com uma ideia mais clara da realidade portuguesa relativamente a aves. A publicação tem também belíssimas imagens, poderão aceder ao PDF em: www.barlavento.pt/wp-content/uploads/2019/12/Brochura_Estado_das_Aves_2019.pdf

Para poder admirar e respeitar a natureza é necessário algum conhecimento – não deixem de dar uma vista de olhos nesta alimentadora publicação.

Paulo Gil Cardoso

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