Ambiente

Terra Viva – Aquecimento Global, Urgente – temos 10 anos para agir

O planeta caminha para uma subida de 3,2º Celsius da temperatura média global, é o que revela o relatório publicado na passada terça-feira (26) pelas Nações Unidas.

Pode ler-se no cabeçalho da publicação das Nações Unidas: “Mesmo que os países cumpram os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris de 2015, o mundo caminha para um aumento da temperatura global de 3,2 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais, levando a impactos climáticos ainda mais amplos e mais destrutivos”. O estudo aponta para a necessidade de redução de emissão de gases de efeito estufa na ordem dos 7,6% anualmente até 2030.

Os dados revelados são deveras preocupantes – apesar de todos os avisos e alertas da comunidade científica e das Nações Unidas, existe desprezo e desvalorização sobre o problema e o esforço em reduzir as emissões de gases de efeito estufa tem sido insuficiente. Na última década a emissão de gases de efeito estufa aumentou 1,5% anualmente e as emissões de dióxido de carbono de origem fóssil, essencialmente provocadas pela indústria e consumo de energia aumentaram 2% só em 2018. Relativamente aos compromissos assumidos por 70 países em reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o estudo indica que sete dos países mais industrializados do mundo estão a falhar nas metas a que se comprometeram, sendo eles: Austrália, Brasil, Canadá, República da Coreia, África do Sul e Estados Unidos da América.

O relatório aponta como essenciais, cinco opções de transição para conseguir inverter a dependência de combustíveis fósseis: “Expansão de energia renovável para eletrificação; Eliminação gradual do carvão para a rápida descarbonização do sistema de produção de energia; Descarbonização dos transportes pondo o foco na mobilidade elétrica; Descarbonização das indústrias com altos consumos de energia; Evitar emissões futuras melhorando no entanto o acesso à energia”.

A publicação das Nações Unidas aponta também como elementos-chave a eficiência produtiva e o desenvolvimento de materiais que necessitem de menos consumo energético na sua produção e que, ao mesmo tempo, promovam a eficiência energética.

O esforço de mudança é com certeza enorme, e terá de se procurar o equilíbrio para reduzir impactos económicos. No entanto, não pôr as mãos à obra agora será muito mais penoso para toda a humanidade num futuro bastante próximo.

Vagas de calor, grandes incêndios, cheias e tempestades violentas, subida do nível médio das águas do mar são já realidades e a tendência e previsão é de estes fenómenos extremos serem cada vez mais extensos, numerosos e globais, acontecendo em múltiplos locais do globo. As evidências reais e científicas são irrefutáveis: quem continuar a negar a realidade estará a comprometer a sua vida e a dos seus semelhantes, estará a contribuir para o sofrimento e morte. É necessário entender que, se nada fizermos, os prejuízos serão muito maiores. Mais uma vez se faz um apelo à razão e ao bom senso – os líderes políticos de todos os países têm de assumir a proteção dos seus povos e a preservação do planeta para as atuais gerações e para as vindouras. Se não o fizerem estarão a ser absolutamente irresponsáveis.

É urgente recuperar o respeito e a admiração pela natureza para dela podermos usufruir. O tempo vai-se esgotando e não há planeta B.

O relatório das Nações Unidas pode ser consultado em: www.unenvironment.org/resources/emissions-gap-report-2019.

Paulo Gil Cardoso

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